Secretária de Comércio Exterior descarta prejuízo a exportações para Argentina
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Mônica Ciarelli 
Rio, 02 (AE) - A secretária de Comércio Exterior, Lytha Spíndola, afirmou hoje que as exportações não serão prejudicadas pela postura protecionista adotada pela Argentina após a desvalorização cambial promovida pelo governo brasileiro no início do ano. A Argentina investiga dumping e concorrência desleal nas vendas externas de aço e calçados.
"Não existe problema", sentenciou. "Esse movimento é normal em um processo de ajuste como o do Mercosul", explicou a secretária, que participou da entrega do prêmio Rio Export 99 concedido pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) e do Banco do Brasil. Ele destacou que o governo vem trabalhando para melhorar o desempenho da balança comercial este ano. Isso, segundo a secretária, tende a neutralizar os efeitos dos embargos promovidos pela Argentina.
O grande problema do comércio brasileiro, na opinião de Spíndola, é a recessão vivida pelos países do Mercosul e da Associação Latina-Americana de Integração (Aladi). A participação da Aladi na pauta de exportações brasileiras caiu de 26% para 20% nos primeiros sete meses do ano em comparação com o mesmo período de 1998. A secretária lembrou que o governo vai analisar as investigações abertas pela Argentina individualmente, mas que já criou comissões específicas para analisar o problema.
O diretor executivo do setor de aço da CSN, Albano Chagas Viera, afirmou que o embargo argentino não tem prejudicado o resultado da empresa. A estratégia para compensar as perdas foi ampliar a base de cliente, aumentando as vendas para os países da ásia. "A economia da região está se recuperando e nossas vendas para lá aumentaram", informou. A Argentina representava pouco menos de 2% do total exportado pela empresa.
Viera revelou que as companhias brasileiras de siderurgias estão negociando com a Siderar, única empresa de setor na argentina, um sistema de cotas, como o adotado com os Estados Unidos. O executivo não arriscou um palpite de quando as negociações estarão encerradas, limitando-se a afirmar que o problema é "mais político do que uma questão comercial". Ele negou as acusações de que o Brasil pratica dumping no setor, alegando que as empresas nacionais são mais competitivas do que as argentinas.


