A secretária nacional de Vigilância Sanitária, Marta Nóbrega, entregou ontem, em Brasília, o cargo denunciando a existência de funcionários que acumulam cargos no governo e são responsáveis por farmácias de Brasília em outros setores do Ministério da Saúde. A saída de Marta Nóbrega foi motivada pela demissão de 30 técnicos da Vigilância Sanitária que trabalhavam ao mesmo tempo em drogarias do Distrito Federal.
‘‘O Ministério da Saúde está cheio de farmacêuticos nas áreas de assistência à saúde e fiscalização’’, afirmou ela, sem citar nomes. Segundo a ex-secretária, funcionários do ministério estão fazendo esse levantamento. ‘‘Mas é lógico que tem’’, garantiu. Ao entregar o cargo, Marta Nóbrega pode ter se antecipado ao ministro José Serra, que estava disposto a demití-la. Na terça-feira, o Serra afastou os 30 fiscais da Vigilância Sanitária que acumulavam funções. No final da noite de anteontem, ela comunicou ao ministro que estava deixando a secretaria.
O diretor do Hospital das Clínicas de São Paulo, Gonçalo Vecina Neto, é o novo secretário nacional de Vigilância Sanitária. Ele aceitou o convite feito ontem à tarde pelo ministro José Serra. O novo secretário tomará posse na próxima semana. Até a sua posse, o secretário-executivo do ministério, Barjas Negri, responderá interinamente pela Vigilância.
Marta Nóbrega afirmou que desconhecia a existência dos funcionários que acumulavam funções, apesar de ter passado mais de um ano no cargo. ‘‘Infelizmente não sabia’’, disse. Ela garantiu que só tomou conhecimento da denúncia encaminhada pelo Conselho Regional de Farmácia do DF pela imprensa. ‘‘No momento em que tomamos ciência, demitimos todos eles’’, afirmou. ‘‘Não houve negligência’’. Porém, coube a Serra anunciar o afastamento dos servidores, prenunciando a fritura de Marta Nóbrega.
A denúncia sobre os 30 farmacêuticos foi feita pelo Conselho no último dia 10, mas as providências só foram tomadas no dia 20, depois que Serra recebeu a informação de um repórter sobre a existência da irregularidade. ‘‘Só soube disso na segunda-feira’’, confirmou Serra, na televisão. Segundo Marta, o documento do CRF tinha dez itens, mas ela só acatou um deles, que era sobre a falsificação de remédios. A ex-secretária achava, segundo afirmou ontem, que questão de pessoal era uma atribuição do setor de recursos humanos do ministério. ‘‘Eu fui cuidar da parte que pedia solução para os genéricos’’, justificou.Dida Sampaio/AEAtirandoA secretária da Vigilância Sanitária, Marta Nóbrega, anuncia sua demissão, no Ministério da SaúdeEvandro Éboli
Especial para a AE

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