Secretaria critica empresas por atraso em canalização
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quarta-feira, 19 de janeiro de 2000
Por Mauro Carvalho da Silva 
São Paulo, 19 (AE) - Falta de criatividade dos engenheiros das empreiteiras diante de novos problemas e a demora na solução das desapropriações de imóveis, cujos proprietários entraram com recursos na Justiça, são as principais causas apontadas pela Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento Básico para o atraso na conclusão das obras de canalização do Córrego do Cabuçu de Cima, na divisa de São Paulo com Guarulhos.
As obras deveriam ter sido concluídas no ano passado. Como isso não ocorreu, ontem(18) os moradores da Vila Galvão e Jardim Tremembé viram mais uma vez o córrego transbordar e invadir casas e ruas, com o nível das águas chegando, em alguns pontos, a mais de 2 metros de altura.
Uma nova previsão dos engenheiros garante que as obras serão concluídas até setembro. O secretário de Recursos Hídricos, Antônio Carlos de Mendes Thame, prefere não arriscar. "Com certeza no próximo verão o córrego estará suportando chuvas de até 100 milímetros em duas horas", disse. "Mesmo se chover mais do que isso o impacto de uma inundação será muito menor, com as águas escoando rapidamente após o término das chuvas."
Ele reconheceu que para um morador que tiver a casa invadida não interessa se sua moradia ficou com água durante duas horas ou cinco minutos. "Na precipitação de ontem choveu 100 milímetros em 45 minutos", informou. "Além disso, o Córrego Piqueri, que deságua no Cabuçu, chegou com força violenta, provocada por uma chuva de 50 milímetros."
Setembro - Thame negou que as empreiteiras tenham reduzido o ritmo das obras por falta de pagamento. "Pode ter havido algum problema com alguma nota com preço não compatível com o serviço executado."
Ele lembrou que, em setembro, uma chuva de 20 milímetros foi suficiente para provocar enchentes, pois havia vários pontos de estrangulamento por causa da obra de canalização do trecho de 2.560 metros, desde a foz no Rio Tietê até a Rua Bahia de Santa Casa.
Depois disso, a Secretaria de Recursos Hídricos determinou às empreiteiras que modificassem o sistema de construção no trecho de 7.760 metros desde a Rua Bahia de Santa Clara até a Ponte das Três Cruzes, cujas obras deveriam ter sido iniciadas em abril.
"Trechinho" - "Antes fazíamos um trechinho e, em seguida, passávamos para outro", explicou. "Depois disso, mandávamos fazer a escavação total desse trecho, o que permitiu que o córrego suportassem chuvas de até 60 milímetros em duas horas", afirmou Thame. "Tanto que durante os temporais que atingiram a região nos primeiros dias do ano o córrego não transbordou."


