Secretaria cria grupo para reprimir gangues; oficial acusado do massacre no Carandiru integra equipe
Secretaria cria grupo para reprimir gangues; oficial acusado do massacre no Carandiru integra equipe9/Mar, 20:16 Por Marcelo Godoy São Paulo, 09 (AE) - A Secretaria da Segurança Pública criou hoje um grupo para investigar e reprimir gangues de neonazistas e outras cujas atividades estejam ligadas à intolerância racial, sexual, social, de origem regional e até de torcidas de futebol. Um dos policiais militares destacados para compor o Grupo de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância (Gradi) está entre os réus do massacre da Casa de Detenção, o tenente-coronel Silvio Roberto Villar Dias. Quando era capitão, Dias participou da operação de rescaldo do Pavilhão 9 da Casa de Detenção, logo após o massacre de 111 presos, ocorrido em 1992. Ele e outros 27 oficiais foram acusados de permitir o espancamento de 86 presos, o que o tornou réu no processo ao lado do coronel Ubiratan Guimarães e de outros 92 Pms. Passados oito anos, nenhum acusado foi julgado pela Justiça - todos alegam inocência. Durante a entrevista, o secretário da Segurança, Marco Vinício Petrelluzzi, afirmou ter designado Dias para o cargo - os membros do Gradi foram nomeados assessores do gabinete - por causa de sua experiência no combate à violência das torcidas organizadas. Até hoje, Dias comandava o 2.º BPChoq, onde também estava na época do massacre, chefiando uma de suas companhias, a Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicleta (Rocam). A reportagem procurou a secretaria para que ela informasse se a acusação foi levado em conta no momento da escolha de Dias e recebeu a informação de que uma resposta só seria possível amanhã. Mais ampla - O Gradi ficará subordinado ao gabinete do secretário e seu primeiro objetivo será reunir em um banco de dados todas as informações que as polícias dispõem sobre as gangues. Além de Dias, um outro oficial e dois delegados foram destacados para compor o grupo - outros oito homens serão designados. Entre os delegados está Helênio Dell'Oso Prado, ex-titular da Delegacia de Crimes Raciais, extinta em dezembro passado pela secretaria. "O que estamos fazendo agora não é abrir uma nova delegacia", disse o secretário. Segundo ele, o conceito de delegacia de crimes raciais estava ultrapassado. "A questão é mais ampla, pois há a intolerância religiosa, a sexual e até a de torcidas", disse. O grupo centralizará as informações sobre as gangues para abastecer a polícia, orientando ações, mas não será responsável pela condução dos inquéritos. Isso continuará a cargo das delegacias de cada bairro, o que não impedirá que, em casos especiais, o Gradi tome conta do inquérito. "Apoiamos a medida, pois não podemos esquecer a atuação de grupos neonazistas no ABC e na Internet", disse Ben Abraham, presidente da Associação dos Sobreviventes do Holocausto. "A medida era necessária", disse Antônio Carlos Arruda, presidente do Conselho da Comunidade Negra.





