Brasília, 21 (AE) - A Secretaria de Administrração e Patrimônio (Seap) da Presidência da República reconheceu hoje não ter como evitar que erros grosseiros ou informações equivocadas, como a suposta contratação de um show da cantora Elba Ramalho por R$ 800 mil para a comemoração do aniversário do presidente Fernando Henrique Cardoso, sejam detectados antes da publicação no "Diário Oficial" da União (DOU). A informação foi prestada hoje pela Assessoria de Comunicação da Seap, contradizendo o que afirmou a titular da pasta, Cláudia Costin, ontem (20), quando responsabilizou os funcionários demitidos de não ter feito o controle prévio das matérias enviadas à Imprensa Nacional.
No Palácio do Planalto, assessores do presidente Fernando Henrique Cardoso estão revoltados com a vulnerabilidade a que está sujeito não só o tucano, como todo o governo. Auxiliares do presidente entendem que a Imprensa Nacional também tem de ter responsabilidade na publicação dos atos. "É preciso ter mais zelo com os atos do governo e, particularmente, do presidente", reagiu um assessor do Planalto, exigindo que, no "Diário Oficial" da União também seja feita uma investigação para apurar responsabilidades. "Senão, só seriam necessárias máquinas e se poderia mandar todo mundo embora, ficando apenas com os servidores que trabalham na impressão do Diário Oficial", acrescentou.
O porta-voz do Palácio, Georges Lamazire, tentou amenizar a discussão, alegando que esse assunto não deve mais ser tratado pela Presidência da República. Segundo ele, as sindicâncias em curso e os estudos na área vão permitir verificar se há necessidade de melhorar os procedimentos para evitar que outros erros ocorram.
O diretor-geral da Imprensa Nacional, Antônio Eustáquio da Costa, defende-se, dizendo que não há como mexer no mérito das matérias porque a legislação proíbe. "Se um ponto-e-vírgula causou a confusão que causou no Congresso (referindo-se à polêmica em torno da idade para a concessão de aposentadorias), como vamos mexer no mérito?", indagou ele, esclarecendo ainda que, quando os poucos funcionários que trabalham na seleção de matérias publicadas no DOU detectam falhas, eles avisam. "Mas é humanamente impossível revisar tudo porque são 1,5 mil páginas diariamente", afirmou.
A Imprensa Nacional possui 750 funcionários e, destes, cerca de 400 trabalham na impressão do "DOU". Cerca de 60% do jornal ainda é paginado nos moldes antigos, usando cola e gilete para pregar as matérias nas páginas . Um grupo de 35 funcionários faz este tipo de serviço. Na próxima semana, a Imprensa Nacional terá uma reunião na Secretaria de Administração para tentar encontrar mecanismos de permitir um maior controle das matérias a serem publicadas. Segundo Costa, a Imprensa Nacional não possui um funcionário encarregado de revisar os textos.
Os funcionários exonerados ontem (20) terão três destinos diferentes. O funcionário Durval Amaro volta para o Ministério do Trabalho. O servidor Henrique Figueiredo, para a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a funcionária Maria Aparecida de Melo continua no ministério. O funcionário encarregado de ler o "DOU" no dia seguinte não detectou o problema de imediato porque havia saído para assistir a uma conferência no ministério.

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