Agência Estado
De Registro
A Vigilância Sanitária da Secretaria de Estado da Saúde de Registro, a 185 quilômetros de São Paulo, comparou a ‘‘um açougue’’ as instalações do Instituto Médico-Legal (IML) daquela cidade, onde dois corpos foram extraviados antes do sepultamento nas últimas semanas. O termo consta de um relatório entregue ao Conselho Regional de Medicina (CRM), após vistoria de uma equipe de técnicos do órgão da Saúde. A inspeção foi feita alguns dias antes do acidente em que 18 pessoas morreram na Rodovia Régis Bitencourt (BR-116) em decorrência da colisão de um ônibus com um contêiner que se desprendeu de um caminhão.
O corpo de uma das vítimas, a professora de Curitiba Beatriz Pierin e Silva, de 30 anos, ficou desaparecido durante cinco dias. Quando foi encontrado, escondido no carro de cadáveres do IML, estava se decompondo. Antes, havia sumido – e até agora não foi encontrado – o corpo do aposentado Leonides Décio Teixeira, falecido no último dia 21, aos 60 anos, em Cananéia. A polícia acredita que o cadáver foi entregue por engano a uma família de Sorocaba, que o sepultou pensando tratar-se de Edward Cosme Leme,
de 44 anos, falecido em um naufrágio perto de Iguape.
Segundo a diretora da Vigilância Sanitária de Registro, Inês Carolina Junqueira Franco, que coordenou a inspeção no IML, o prédio é incompatível com sua destinação. A área de necropsia é imprópria, com poucas torneiras e sem condições de higiene. O sangue e resíduos são lançados a céu aberto. O sistema de refrigeração dos corpos, com o uso de uma ‘‘geladeira de açougue’’ é totalmente inadequado. ‘‘Quando há um acidente com muitas vítimas, o que é comum acontecer na BR-116, não há padiolas suficientes e os corpos ficam depositados no chão de cimento rústico.’’
Faltam equipamentos e as facas e serras usadas nas necropsias estão enferrujadas. A diretora contou que o primeiro impulso, durante a inspeção, foi de interditar o IML. ‘‘Mas acabaríamos criando um problema ainda maior, pois não há outra unidade para necropsias em toda a região.’’ Além do relatório entregue ao CRM, ela levou a situação ao conhecimento do prefeito Samuel Moreira (PSDB). O prefeito dispôs-se a destinar uma área para um novo prédio, desde que a construção seja feita em parceria com o governo do Estado.
O desaparecimento do corpo da professora Beatriz Pierin e Silva provocou o afastamento de todos os policiais envolvidos. O governador de São Paulo, Mário Covas, determinou anteontem o afastamento. ‘‘Mandei demitir quem estava lá, pois quem estava lá é responsável’’, afirmou Covas.
O empresário Sérgio Amed e Silva, viúvo de Beatriz, afirma que irá processar todos os envolvidos no caso. Ele comentou que o corpo só apareceu porque houve intervenção direta do governador Mário Covas, que ficou preocupado com a dimensão que o caso ganhou na mídia durante toda a semana.

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