Secretaria ampliará salas na Febem-SP
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sexta-feira, 05 de março de 1999
Por Gabriela Athias 
São Paulo, 05 (AE) - A Secretaria de Estado da Educação vai ampliar a quantidade de salas de aula da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem/SP) e as classes de supletivo. A estratégia para aumentar a oferta de ensino no Estado tem alcançado bons resultados pedagógicos, como ocorreu com 110 adolescentes de alta periculosidade na unidade da Rodovia Raposo Tavares: 59 foram promovidos ao ensino médio no período de um ano.
Entre os mecanismos utilizados pela secretaria estão os supletivos semipresenciais para adultos, as classes de aceleração para alunos de 1ª a 8ª série e a abertura das escolas profissionalizantes para os estudantes da rede regular.
As escolas da Febem terão mais seis salas de aula no complexo do Tatuapé, com capacidade para 300 alunos, e sete no complexo Imigrantes, com capacidade ainda indefinida. O supletivo, que cresceu 300% entre 1995 e 1998, segundo dados oficiais, continuará a ampliar sua capacidade este ano em 20%.
As classes de aceleração, que até o ano passado atendiam de 1ª a 4ª série, serão expandidas para alunos de 5ª a 8ª e as escolas profissionalizantes passarão a abrir seus cursos para os alunos matriculados no 3º ano do ensino médio das escolas regulares. Ou seja: como o curso profissionalizante está desvinculado das aulas do ensino médio, poderá receber alunos matriculados em várias escolas.
Carro-chefe - A classe de aceleração será o carro-chefe dos programas que visam a aumentar a qualidade da rede paulista. Em primeiro lugar, é voltada para o ensino fundamental, ciclo eleito como prioritário por todos os governadores e pelo Ministério da Educação (MEC).
Em segundo, é o programa que reduz as taxas de atraso escolar, um dos maiores problemas da rede pública brasileira.
Esse projeto foi premiado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e copiado pelo Paraná, um dos Estados que vem servindo de modelo na gestão da educação básica.
O efeito das classes de aceleração já apresenta reflexos censitários. A Secretaria de Estado da Educação divulgou com exclusividade para a Agência Estado os novos índices de atraso escolar. Entre 1996 e 1998, a taxa de alunos matriculados na 5ª série, uma das mais críticas, com um ano de atraso, foi reduzida de 16,4% para 14,9%. Com dois anos de atraso, a redução foi de 12,4% para 9,2%.
Esse atraso, chamado tecnicamente de distorção idade/série, atinge 55,6%, segundo o MEC, dos estudantes brasileiros matriculados na 5ª série. São pessoas que, de acordo com a faixa etária, já deveriam estar pelo menos na 7ª série.
As causas mais frequentes do atraso são as repetências múltiplas (pelo menos duas vezes) e o abandono escolar, geralmente movido por problemas econômicos.
Ao retornar para a escola, esses alunos passam a ser os mais velhos da classe. É comum encontrar adolescentes de 12 anos acomodados (ou mal acomodados) em classes de 2ª ou 3ª série, por exemplo, com crianças de 8 ou 9 anos.
"Nas classes de aceleração, os alunos recuperam a auto-estima perdida com as repetências múltiplas", diz a supervisora de ensino Maria de Fátima Ferreira. Os professores das classes de aceleração dão aula a partir de projetos temáticos escolhidos pelos alunos e exploram o senso crítico e a experiência de vida desses estudantes para aprofundar as discussões em classe.
O resultado, recém-divulgado pela secretaria, é que mais de 50% desses estudantes conseguem fazer duas séries em um único ano. Com isso, o custo anual de um aluno dessas classes, que é 20% mais caro do que os R$ 700 anuais (custo de cada aluno das classes regulares), acaba ficando diluído. "O que é caro para o sistema é reprovação e a evasão", diz a secretária Rose Neubauer.
Desempenho - No ano passado, o desempenho dos alunos das classes de aceleração da unidade da Febem na Rodovia Raposo Tavares (que concentra detentos de alta periculosidade) foi superior ao dos estudantes matriculados nas escolas regulares nas provas do Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo (Saresp). Dois ex-detentos passaram no vestibular.
A secretaria está começando a pesquisar o retorno dos ex-alunos da aceleração nas classes regulares. Os primeiros resultados desse acompanhamento mostram que o índice de evasão é 2% maior do que os outros. Por outro lado, quem não sai da escola consegue integrar-se nas classes normais, uma vez que a distorção de idade já foi corrigida. "Alguns alunos realmente têm dificuldades de entrar em um cotidiano que muitas vezes é monótono", reconhece Maria de Fátima.


