Secretária amplia espaço e vira gerente
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domingo, 28 de janeiro de 2001
Agência Estado De São Paulo 
Até dez anos atrás, a secretária era vista como uma realizadora de tarefas do lar no ambiente de trabalho. Era uma fonte decorativa, alguém que executava ordens diretamente de determinado chefe, define a diretora da SEC Secretary Search & Training (consultoria especializada em recolocação de secretárias), Stefi Maerker. Com a necessidade de dinamizar as empresas, alguns cargos foram enxugados e, assim como a maioria dos profissionais, as secretárias também mudaram de perfil.
Atualmente, elas exercem as tarefas básicas e ainda administram o fluxo de andamento dos processos, acompanham, envolvem-se, acrescenta Stefi. Algumas até complementam sua formação inicial com um curso de graduação na área em que atuam, como Recursos Humanos e Comércio e Exterior. O diretor-presidente da Laerte Cordeiro Consultores, Laerte Cordeiro, arrisca-se em dizer que, em alguns casos, ela até perdeu o título de secretária por ter agregado outras funções cotidianas.
Aquela profissional que cuidava apenas dos afazeres do superior não existe mais. Hoje ela cuida de um grupo de gerentes ou de diretores e ainda pode gerenciar serviços complementares como o de motoboys, copeiros, etc., diz Cordeiro. Contudo, os especialistas afirmam que o reconhecimento profissional depende da postura da secretária e de seu investimento na profissão.
Para tornar-se competitiva no mercado de trabalho são necessários alguns requisitos básicos, como estar atualizada sobre as notícias e os points badalados da cidade, fazer cursos diversos, além de ser boa comunicadora, para acelerar o fluxo de informações dentro e fora da empresa (ver arte). Segundo Sônia Tenório, secretária há 34 anos, é importante que, se consultadas pelos executivos, elas saibam sugerir um local adequado para cada tipo de reunião externa. Dentro dos seus limites, ela pode ajudar mais do que a equipe de consultores do executivo.
A gerente da Adecco Recursos Humanos Mariuza Christovam complementa: Existem profissionais que delegam responsabilidades a elas em sua ausência.
A partir da década de 90, a profissão ganhou mais status. A mudança das ferramentas de trabalho com o advento da tecnologia e da atuação dos profissionais forçou a modificação do perfil da secretária.
Sônia lembra que, antigamente, a profissional, principalmente a que prestava serviços para a presidência de empresas, usava roupas conservadoras e limitava-se a uma posição discreta, por se tratar de um cargo de confiança. O conceito mudou e as secretárias têm mais funções.
Essa maior participação causou migrações de algumas das profissionais para outros cargos, como foi o caso da consultora de Recursos Humanos da SEC Jussara Tavares de Mello. Secretária por nove anos, em um dos empregos ela prestou serviços para a área de Recursos Humanos e interessou-se pelo segmento. Gostava da minha antiga profissão, mas sentia-me limitada. Em 1996, ela formou-se no curso de Pedagogia com habilitação em Recursos Humanos. Um ano depois, foi chamada pela SEC para uma vaga de secretária. Concorri porque não tinha experiência em outra área. Na entrevista, a diretora sentiu o potencial e deu uma chance a Jussara para preencher a vaga de consultora júnior. Atualmente, ela é consultora de seleção e treinamento e desempenha a função de headhunter. Sinto-me realizada, diz.


