São Paulo, 26 (AE) - A secretária estadual de Assistência e Desenvolvimento Social, Marta Teresinha Godinho, admitiu hoje que a superlotação é o principal problema da Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor (Febem) e não há nenhuma solução imediata para melhorar a situação dos adolescentes. Segundo ela, no complexo do Tatuapé, na zona leste, onde há tensão desde sábado, existem 1.460 menores aglomerados em um local que comportaria, no máximo, 800 adolescentes. Não há planos também de desativação.
A situação também é crítica no complexo da Imigrantes, local que deveria abrigar apenas 350 dos 1,7 mil internos, que atualmente estão no local. "Já fizemos apelos ao Ministério Público e ao Judiciário para que sejam aplicadas penas no regime semi-aberto, mas somos obrigados a internar os menores, o que aumenta ainda mais as estatísticas", disse a secretária, que descarta a possibilidade de desativação dos complexos, pelo menos, a curto e médio prazo. "Isso agora não é possível", disse Marta. "Muita gente critica, pois é fácil falar, difícil é encontrar locais para abrigar os adolescentes". Interior - De acordo com a secretária, estão sendo construídos novos complexos no interior do Estado. "Espero que em agosto já estejam prontas as unidades de Campinas, São José do Rio Preto e Guarujá", afirmou Marta. "Já abrimos licitação também para a construção de unidades em Bauru, Araçatuba e Araraquara". Esses novos pólos deverão abrigar apenas cerca de 70 adolescentes cada. "Assim os menores poderão receber a visita de seus parentes, pois a maioria é do interior", relatou Marta.
"Infelizmente, estamos encontrando dificuldades para adotar esse trabalho fora da capital, pois muitas cidades não querem unidades da Febem e , por isso, criam muitos problemas". Tatuapé - Marta admitiu, em relação ao complexo do Tatuapé, que o local está abandonado e possui uma organização ruim. "Estamos estudando uma reforma no complexo e definindo novas formas de estar lá dentro", comentou Marta. "No complexo, há 15 unidades
três delas precisam de reformas urgentes". "Queremos uma nova qualidade de vida, pois, por enquanto, não podemos falar em desativação do local", completou. "Essas são as alternativas que encontramos para melhorar a situação desses adolescentes". Imigrantes - A secretária também afirmou que a principal reforma que está sendo estudada para o complexo da Imigrantes é a construção de um refeitório. "Hoje, muitos dos adolescentes acabam pegando suas marmitas para comer em outros locais, como o pátio, pois o refeitório é pequeno", disse Marta. "Foi construído para abrigar 350 menores e não 1,7 mil".

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