Secretaria abre investigação sobre maus-tratos
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quarta-feira, 22 de maio de 2013
Danilo Marconi<br>Reportagem Local 
Londrina A Secretaria Estadual de Família e Desenvolvimento instaurou uma comissão para apurar possíveis maus-tratos ocorridos dentro das duas unidades do Centro de Socioeducação (Cense) de Londrina. A FOLHA mostrou ontem que internos estariam recebendo punições das mais variadas, como agressões físicas, verbais e morais.
A FOLHA publicou com exclusividade o caso de um garoto de 12 anos que teria sido violentado por outro interno dentro da cela enquanto cumpria a internação provisória em 2011. Teria havido consentimento de outros educadores.
Ontem, o Estado admitiu o crime. "Com relação à denúncia ocorrida em 2011 no Cense Londrina I, todas as providências cabíveis foram tomadas, inclusive com a responsabilização dos envolvidos e a devida comunicação à Vara da Infância e Juventude", descreve a nota oficial da Secretaria.
A nota também informa que um processo administrativo disciplinar foi instaurado e que a secretaria apura as denúncias levantadas em inspeção judicial previamente realizada na unidade. O processo está em fase de instrução. O órgão conclui que nenhum servidor foi demitido e retifica que oito educadores estão afastados preventivamente por determinação da Vara da Infância e Juventude.
A reportagem gerou grande repercussão entre entidades de proteção a crianças e adolescentes. "Vimos isso como um escândalo. Essas situações descritas (pela FOLHA) demonstram que ele (adolescente) vai voltar ao ambiente social com mais ódio, reproduzindo novamente a violência", criticou o presidente do Conselho Municipal da Criança e do Adolescente, padre César Braga.
"Se o modelo de tratamento está neste pé, pior que a delinquência, então é necessário a sociedade repensar o clamor da redução da maioridade penal. O sistema demonstrado é criminoso como o da rua", observou o assessor da Pastoral Carcerária, padre Edivan Pedro dos Santos.
"A gente é totalmente contra a tortura ou qualquer ato contra o ser humano. O jovem infrator tem que ter sua dignidade respeitada e nada pode ferir o direito constitucional", ressaltou a advogada Rejane Romagnoli Tavares Aragão, membro da comissão da criança e do adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Londrina.
Para o vereador Tio Douglas (PTB), presidente da Comissão da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal, os relatos são "chocantes". "A delinquência não pode ser tratada com delinquência", declarou.
Integrantes dessas entidades devem participar amanhã de vistorias nas duas unidades do Cense em Londrina.


