São Paulo, 18 (AE) - O presidente do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi), Walter Lafemina, criticou hoje um dos pontos da proposta da Secretaria de Previdência Complementar, do Ministério da Previdência, sobre o novo Plano de Gestão de Investimentos das Entidades Fechadas de Previdência Privada, que limita o direcionamento de recursos dos fundos de pensão para o setor imobiliário em 10% do percentual total de ativos dos fundos.
O Plano de Gestão será analisado até o final de março pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) Além dos imóveis, explica Lafemina, também estão incluídos na nova propostas outros produtos do setor, como fundos imobiliários, debêntures, letras ou certificados de recebíveis imobiliários (CRIs). "A classificação de todos os investimentos de base imobiliária no mesmo limite é um erro técnico", afirma Lafemina.
Segundo ele, é preciso diferenciar os investimentos diretos em imóveis dos realizados por instrumentos financeiros criados pelo setor nos últimos anos. Dentre esses produtos, Lafemina cita o exemplo do Fundo de Financiamento Imobiliário (FFI), aprovado no final de 97 e baseado nos moldes de hipotecas norteamericanas, que, segundo ele, movimentam anualmente US$ 4 trilhões nos Estados Unidos, ou seja, quase a metade da poupança interna daquele país.
"Esse produto mal tomou fôlego no País e já está sofrendo restrições", lamenta Lafemina. Segundo ele, o FFI, assim como os CRIs, são investimentos de renda fixa com garantia por recebíveis imobiliários. "Gostaria de saber a quem interessa que esses recursos deixem de ser aplicados em instrumentos imobiliários", questiona. "Isso é um lobby, não interessa aos pensionistas terem seu dinheiro aplicado na ciranda financeira."
Antes de ser analisado pelo CMN, o Secovi-SP deve enviar um carta mostrando a indignação do setor com a proposta da Secretaria da Previdência Complementar. Segundo Lafemina, o correto seria criar uma subcategoria especial para fundos imobiliários, a serem classificados conforme a liquidez.
"Já as debêntures, letras e CRIs deveriam ser classificadas em outro subgrupo, ao lado dos demais ativos de renda fixa e de acordo com seu risco. Segundo ele, não diferenciar, na futura regulamentação, esses instrumentos sofisticados e de gestão profissional dos investimentos diretos em imóveis é um retrocesso. "É ruim para os investidores e uma tragédia para a economia em geral", diz Lafemina.

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