Seca verde frustra 80% da lavoura de subsistência no sertão
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terça-feira, 11 de maio de 1999
Por Angela Lacerda 
Recife, 12 (AE) - A seca verde - período com chuvas em quantidade insuficiente - frustrou 80% das lavouras de feijão, milho e algodão no sertão pernambucano, provocando a perda total da safra em algumas áreas. A tendência é que o mesmo venha a ocorrer no agreste e na zona da mata, segundo o secretário-adjunto da Produção Rural, Gabriel Maciel. Diante do quadro, agricultores ligados à Federação dos Trabalhadores na Agricultura de Pernambuco (Fetape) começaram hoje a falar em saques.
Cerca de mil trabalhadores reunidos em São José do Egito
no sertão, a 412 quilômetros do Recife, garantiram que vão começar a saquear a partir desta segunda-feira caso o governo federal não pague os salários atrasados de março e abril dos alistados nas frentes produtivas. Eles afirmam que o saque é a única alternativa para não morrerem de fome. "Se os saques vierem a ocorrer, o governo será o único responsável", afirma o secretário de Política Agrícola da Fetape, Antônio Marques.
Os trabalhadores também cobram do governo federal a continuidade das frentes de emergência, a manutenção do salário de R$ 80,00 - que foi reduzido para R$ 60,00 - e ampliação do número de vagas no estado, dos atuais 211 mil para 400 mil.
Safra - O secretário-adjunto confirma que a situação dos pequenos agricultores é a pior possível. Ele ressalta que a lavoura de subsistência representa 80% da produção agrícola do estado e que, sem colheita, os trabalhadores ficam sem renda ou sem emprego.
O governo do estado distribuiu, em janeiro, no sertão, 565 toneladas de sementes com 64,3 mil produtores rurais, na expectativa de uma boa safra depois de uma seca violenta no ano passado. Mas a irregularidade das chuvas, intensas e localizadas
com largos períodos de tempo entre si, não permitiu o desenvolvimento das plantas. Nessas condições, a lavoura também se torna mais vulnerável a pragas.
No agreste e na zona da mata foram distribuídas outras 1 1 mil toneladas de sementes com 110 mil pequenos agricultores. A perspectiva é de perdas entre 80% e 100% dependendo da área.
Maciel frisa que, mesmo em épocas normais de chuva, a lavoura de subsistência - plantada especialmente no semi-árido - não tem sustentatibilidade agrícola. Nos últimos 10 anos, foram desativados tais plantios em mais de 1 milhão de hectares no estado, em 110 pequenas propriedades. O resultado foi o desemprego de 300 mil trabalhadores rurais.
Segundo ele, isso se deve à interação de vários fatores como o nível baixo de tecnologia, falta de acesso a crédito, precária assistência técnica e baixo nível de capacitação. Reflexo disso é a baixa produtividade, de 700 quilos por hectare em Pernambuco, contra 5 mil quilos por hectare no Centro-Sul.


