Flávio Azevedo/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)FomeSeverino José dos Santos e Maria do Carmo, moradores de Tabira (PE), com sacos de alimentos que receberam para se manter no período de secaA tensão social motivada pela fome em municípios do Nordeste afetados pela seca leva o governo a estudar uma ‘‘operação de guerra’’, com a participação dos Ministérios do Exército, Aeronáutica e as Polícias Militares, para fazer a distribuição de alimentos a quase cinco milhões de flagelados. Apesar disso, o governo já concluiu que a distribuição emergencial de cestas básicas deverá demorar de 15 a 20 dias para ser iniciada, segundo disse em Brasília o diretor de programas sociais e institucionais da Companhia de Nacional de Abastecimento (Conab), Sérgio Parente.
Conforme a Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), em pelo menos 19 municípios de Pernambuco, Paraíba e Ceará, a população está inquieta por causa da falta de alimentos. ‘‘O nível de tensão social é muito alto e as consequências podem ser imprevisíveis’’, disse o superintendente interino da Sudene, Leonides Alves.
Hoje, em reunião na Casa Civil da Presidência da República, com a Secretaria de Políticas Regionais, Sudene, Cohab e Programa da Comunidade Solidária, serão definidas as formas de atendimento aos flagelados. Parente diz que, embora a decisão sobre o programa emergencial de distribuição de alimentos seja tomada hoje, será necessário adotar os critérios normais na distribuição, para evitar desvios. ‘‘Precisamos tomar uma série de providências para ter certeza de que os alimentos chegarão às mãos dos que realmente necessitam’’, afirmou. Como órgão executor do programa de distribuição emergencial de alimentos (Prodea), a Conab deverá distribuir 979 mil cestas mensais nos 1.209 municípios considerados em estado crítico.
O critério normalmente usado para a distribuição prevê o cadastramento das famílias por comissões municipais formadas por, no mínimo, dez pessoas, entre representantes do poder público e da comunidade local. Além disso, a Conab ainda avalia os estoques disponíveis de alimentos nos 56 pólos regionais de distribuição do Nordeste. O Prodea atende a 1.344 municípios, com 1,5 milhão de cestas mensais.
Para evitar incidentes nos municípios nordestinos, o governo estuda apressar a chegada dos alimentos na região usando aviões da Força Aérea Brasileira (FAB). ‘‘Será uma operação de guerra’’, diz um assessor do governo, ao explicar que a distribuição seria feita por soldados do Exército e da Polícia Militar. ‘‘Também queremos envolver as prefeituras e governos, além das organizações não governamentais (ongs) neste esquema.
O governo teme incidentes nos municípios de Santa Cruz do Capibaribe, Jataúba, Santa Maria do Camburá, Petrolândia, Tacaratu, Afogados da Ingazeira, Betânia, Ibimirim e Águas Belas, em Pernambuco, e em Uiraúna, Poço Dantas, Santarém, Cubati e Soledade, na Paraíba e Irauçuba, Potiretama, Jaguaruana, Quixeramobim e Quixadá no Ceará.
Ontem a primeira-dama e presidente do conselho do programa Comunidade Solidária, Ruth Cardoso, disse que a orientação do executivo é trabalhar em ações conjuntas para diminuir o impacto econômico da falta de água na região. ‘‘O problema da seca não se resolve apenas com a distribuição de cestas básicas. É preciso um conjunto de ações’’, afirmou a primeira-dama.
O Banco Mundial assinará em maio contrato com o governo brasileiro para financiar a construção de oito adutoras em áreas críticas do Nordeste e de Minas Gerais.

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