Seca provoca o 'caos' em 5 estados
A seca continua grave em pelo menos cinco Estados do Nordeste - Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Paraíba. O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) em Pernambuco afirma que nesses Estados o caos por falta de chuvas é total. Mas o CPTEC (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos), ligado ao Inpe, em Cachoeira Paulista (SP), prevê a normalização da ocorrência de chuvas nas regiões Nordeste e parte da Sudeste do Brasil a partir de março.
De acordo com estudos experimentais feitos para o quadrimestre entre fevereiro e maio, a partir do próximo mês, os níveis de precipitação deverão ficar próximos das médias históricas para o período. A seca atual não atinge somente o sertão. Alastra-se também por regiões menos secas como o agreste, a zona da mata e o litoral. A capital que mais sofre com a falta de água é Recife (PE), onde choveu em janeiro 44 milímetros, ou seja, 60% a menos do que a média dos últimos 30 anos. Em Maceió (AL) e João Pessoa (PB), por exemplo, choveu a metade da precipitação ocorrida em Recife no mês passado.
Se não chover em março, abril e maio será uma catástrofe, define o meteorologista-chefe do Inpe-PE, Ednaldo Correia de Araújo. Nos outros Estados nordestinos chove, mas de maneira irregular. Isso significa dizer que as chuvas são isoladas, formadas por situações locais e não regionais, o que impossibilita a retomada da agricultura. Observando o quadro pernambucano, tem-se uma idéia da irregularidade das chuvas na região. Em Garanhuns, no agreste do Estado, choveu apenas 1,2 milímetro, em janeiro.
No sertão, há disparidades como os 4,6 milímetros em Surubim, 2% da média histórica, e os 102 milímetros de Ouricuri, também no sertão pernambucano, onde a média dos últimos 30 anos é de chuvas que somam 79 milímetros. DistribuiçãoCom base nessas precipitações irregulares, é que a Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) tenta distribuir os R$ 210 milhões liberados na semana retrasada, com atraso de quase dois meses, para o programa de combate à seca. Essa cifra refere-se à distribuição de cestas básicas, ao aluguel de carros-pipa e ao pagamento das frentes de trabalho entre janeiro passado e abril.
O investimento desses quatro meses é bem menor do que dos sete meses do ano passado, quando o programa disponibilizou cerca R$ 900 milhões para dar os mesmos benefícios aos flagelados. Como os recursos são insuficientes, a Sudene está cortando o atendimento aos flagelados. Em Alagoas, por exemplo, 49,8 mil sertanejos ficaram sem cestas básicas. A Sudene só vai liberar os recursos para as frentes de trabalho.
É uma situação crítica e de desespero. Mas o superintendente da Sudene (Aloísio Sotero) prometeu ir a Brasília tentar conseguir mais recursos para o programa, afirmou a secretária de Planejamento de Alagoas, Delza Gitaí. O mesmo processo se repete em outros Estados. Os governadores estão sendo convidados a escolher entre as cestas básicas e as frentes de trabalho. Agora temos um programa de desmobilização que respeita os cinco regimes de chuva do Nordeste. Os cortes são técnicos e vão acontecendo onde a chuva ocorreu, mesmo que de forma irregular, afirmou.
MapasOs mapas de precipitação do Inpe indicam que em janeiro e fevereiro de 98 choveu mais que no mesmo período deste ano, apesar de este mês ainda não ter acabado. Essa redução não significa, entretanto, que a seca deste ano seja pior, porque os meses de janeiro e fevereiro são considerados pré-estação. Na pré-estação, que começa no final de novembro, ainda chove pouco, disse o pesquisador Prakki Satyamurti, do Inpe.
No ano passado, quando a região passou por seca severa, segundo pesquisadores, a redução das chuvas foi de até 80% em relação às médias nos meses mais chuvosos - de março a maio.Folha Imagem/Antonio GauderioSertãoAçude seco: Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos prevê normalização de chuvas em marçoAri Cipola
Agência Folha





