A falta de perspectivas no campo está levando os habitantes do município de Serra do Mel, na região Oeste do Rio Grande do Norte, a abandonar suas casas. Serra do Mel, a 260 quilômetros de Natal, foi uma cidade concebida tendo como modelo os kibutz israelenses e distribuída em 27 agrovilas. A seca está transformando o município de 8 mil habitantes em uma cidade fantasma.
No povoado de Tocantins, uma das agrovilas está sem água, comida e 70% das casas estão fechadas. O único posto disponível tem vazão de 1.500 litros/hora, metade da capacidade normal. Na vila de Carajás, 60 das 90 residências foram abandonadas. Joaldo Rosa, agricultor em Carajás, e mais cinco pessoas de sua família tiveram de voltar para casa da mãe dele. Maior desespero foi o de Nazaré Souza, 90 anos, que passou três dias perdido no mato e sem ter o que comer. A filha de Nazaré, Francisca, está há mais de três dias sem ter água para cozinhar. Dos dez filhos de Francisca, sete já foram embora de Serra do Mel.
O drama da seca assola cidades norte-rio-grandenses como Sítio Novo, a 118 quilômetros da capital. Lá, os 300 estudantes do Primerio Grau têm a merenda escolar como única refeição diária. Itaú, a 470 quilômetros de Natal, registra casos como o do agricultor Josué Antonio da Silva, 39 anos. ‘‘Na semana passada, eu e meus quatro filhos só tivemos feijão para comer.’’
A mais de 400 quilômetros de Natal, o município de Venha Ver é cenário da debandada. A prefeitura local está pagando as passagens de quem desejar ir embora da cidade. Já em Jardim do Seridó, o açude Zangarelhas virou lama. Para melhorar o abastecimento d’agua desta cidade, o governo do Estado priorizou a construção da adutora Passagem das Traíras, de 23 quilômetros de extensão.
Vacas por R$ 100,00 e garrotes por R$ 30,00. Os preços desesperadores são a prova de que os habitantes de Ouro Branco, a mais de 250 quilômetros de Natal estão lutando para sobreviver através da última fonte de receita que lhes resta, o rebanho. ‘‘O pior é que o comprador tem até 60 ou 90 dias para pagar’’, lamenta João Batista Lucena (PMDB), prefeito da cidade. Ouro Branco, na região do Seridó, é uma das cidades com menor índice de mortalidade infantil. Segundo Lucena, de cada mil crianças, 1,7 morre no primeiro ano de vida.

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