São Bento do Una, PE, 11 (AE) - O ministro daEducação, Paulo Renato Souza, inaugurou hoje a primera etapa do programa "água na Escola", em São Bento do Una, a 217 quilômetros do Recife, no agreste pernambucano. A falta de chuvas em parte do semi-árido nordestino, porém, poderá comprometer o funcionamento do programa que pretende levar água a 2.133 escolas da região castigada pela seca.
Pelo projeto, os estabelecimentos escolares deverão ser dotados de cisterna, caixa dágua, dois banheiros e área para preparo da merenda. O "água na Escola" tem, também, caráter educativo, criando hábitos de higiene. Do total de colégios que serão atendidos, 352 já estão concluídos e outros 529 deverão ficar prontos até o final de abril. Estas 881 escolas representam um investimento de US$ 2,6 milhões financiados pelo Banco Mundial (Bird).
O programa é desenvolvido em conjunto pelo MEC, Ministério do Exército e Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). As prefeituras são responsáveis pelo fornecimento da água para as escolas incluídas no programa. Durante a inauguração, porém, o prefeito de São Bento do Una frisou que não poderia garantir o abastecimento. "São Bento do Una está sendo abastecido unicamente por caminhões-pipa, a água é insuficiente e, se não chover, as escolas vão fechar", afirmou. O município tem 73 escolas municipais, 13 beneficiadas com o programa. Seca - O Grupo Escolar Monteiro Lobato, no distrito de Campo Lima, a 15 quilômetros da cidade foi escolhio para o lançamento do programa. A professora da escola, de 26 alunos, Maria do Socorro Guimarães Moraes, disse que se o quadro atual não mudar, terá que continuar a fazer a merenda escolar em sua casa e as crianças terão de trazer água para beber.
O município tem 46 mil habitantes e está sendo abastecido pela Barragem do Biturí, situada no município vizinho de Belo Jardim, que atende a sete cidades do agreste e está com apenas 8% da sua capacidade de armazenamento. A comissão municipal de combate aos efeitos da seca administra a barragem, que está sob racionamento para evitar um colapso total no abastecimento. Diariamente, a prefeitura de São Bento retira do açude cerca de 40 caminhões-pipa que, segundo o prefeito, não suprem as necessidades locais.
O ministro Paulo Renato afirmou que o "água na Escola" é um exemplo de como a adversidade pode servir para se avançar na superação de dificuldades da região. Observou que o programa, ao lado de outras ações, como o programa de alfabetização do Comunidade Solidária, demonstram a disposição do governo federal em buscar saídas para o semi-árido, sem se contentar com soluções moment„neas para a seca.
Segundo ele, com esta ação, o Ministério da Educação não resolve o problema da estiagem, mas está construindo uma infra- estrutura necessária. "Sem isso, mesmo que chovesse, não haveria como armazenar água", disse, ao garantir que vai se empenhar pessoalmente na busca por mais recursos para dar continuidade ao programa, atingindo a totalidade das 2.133 escolas identificadas pelo MEC e que se enquadram dentro dos critérios do programa.
Para serem contempladas, elas devem estar localizadas no semi-árido, possuir mais de 20 alunos, funcionar em prédio público e não terem abastecimento dágua. Muitas dessas escolas sequer possuem instalação sanitária. O Exército pretende distribuir cartilhas com orientações sobre higiene e a necessidade de se tratar a água consumida a todos os professores e alunos das escolas do programa.

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