Seca na região Sul vai causar perdas este ano
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2000
Por Gecy Belmonte 
Brasília, 24 (AE) - A seca que atingiu a região Sul no final do ano passado provocou uma redução de 295,3 mil toneladas para este ano na safra de grãos, conforme estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A informação foi prestada hoje pelo ministro da Agricultura, Marcos Pratini de Moraes.
Levantamento em 46 municípios produtores do Brasil aponta uma colheita de grãos de 83,144 milhões de toneladas, ante 83,439 milhões de toneladas estimadas no último levantamento, de dezembro. Caso esta previsão seja confirmada no próximo levantamento, a ser feito em maio, haverá um aumento na produção de 0,9% - 703,2 mil toneladas a mais que a do ano passado, que foi de 82,440 milhões de toneladas.
Conforme os dados coletados pela Conab, entre os dias 7 e 12 deste mês, as culturas que tiveram maior redução foram a de milho e de arroz - queda de 0,6% e de 1,3% respectivamente, em comparação à colheita do ano passado. O arroz teve a maior redução de volume (152,4 mil toneladas) em comparação com a safra anterior.
Esse decréscimo ocorreu em função da menor área plantada e a baixa produtividade das lavouras no Rio Grande do Sul. Pratini disse que o elevado volume da safra 98/99, que foi de 11 582 milhões de toneladas, deprimiu os preços no mercado, o que desestimulou os produtores. Além disso, lembrou o excedente de produção do Mercosul, que fez com que o estoque de passagem do produto para este ano atingisse 3 milhões de toneladas.
Milho - A safra nacional de milho estimada pela Conab é de 32,208 milhões de toneladas, ou 0,6% a menos que a do ano passado. Com relação à primeira safra, a produção deverá ser de 26,557 milhões de toneladas, o que representa 0,8% a menos que na safra passada. A seca provocou uma redução na área plantada do produto de 0,7% para este ano, sendo que na região Centro-Oeste o Estado de Mato Grosso do Sul continua registrando a maior diminuição da área plantada, de 30%.
Sobre a segunda safra de milho, a chamada "safrinha", que deveria ser plantada no fim de janeiro e que atrasou em função da seca, ainda não há condições de previsão, segundo o ministro Pratini de Moraes. A projeção feita está repetindo os dados do ano passado, que foram de 5,651 milhões de toneladas. Assim, a expectativa é de que as importações de milho neste ano alcancem 2 milhões de toneladas.
Pratini de Moraes informou que o governo está estudando medidas pontuais para estimular o cultivo do milho. Como exemplo
disse que está sendo avaliada a possibilidade de cultivar o produto em áreas irrigadas de arroz, atualmente desocupadas, no Rio Grande do Sul. Da mesma forma, deverá ser estudado plantio da cultura em áreas destinadas à cana-de-açúcar, em Alagoas, na entressafra da cana. "Queremos estimular o plantio do milho aonde há maior consumo", afirmou.
Com relação à safra de soja, a estimativa da Conab é a de que se chegue este ano a 31,496 milhões de toneladas. Este número, embora seja 2,4% a mais do que o do ano passado, é inferior a projeção feita em dezembro passado, que foi de 31,826 milhões de toneladas.
A causa da redução, segundo o ministro, também foi a estiagem, sendo que o aumento previsto em relação à safra 99/98 ocorreu devido ao aumento da área plantada. A estimativa de produtividade foi a mesma da safra passada, de 2.367 quilos por hectare.
Feijão - O ministro da Agricultura disse que a colheita de feijão deverá ficar em 2,972 milhões de toneladas, registrando um aumento de 2% na comparação com a colheita do ano passado. Os excelentes resultados obtidos com o cultivo do produto na região de Irecê, na Bahia, beneficiado pelas chuvas, compensaram a queda na área plantada, que foi de 2,4% neste ano.
Segundo os técnicos da Conab, no entanto, a persistência dos preços baixos está exigindo atuação do governo por meio de Aquisições do Governo Federal (AGFs). Os preços baixos do produto deverão provocar uma redução de cerca de 70% da área que está sendo semeada no Rio Grande do Sul para a segunda safra de feijão.
Pratini de Moraes salientou que uma das culturas que deverá ter um excelente resultado este ano é a do algodão, com um crescimento de 18,8% em relação ao ano passado.
A estimativa é de que haja uma colheita de 1,098 milhão de toneladas de algodão em caroço. Ele lembrou que o Brasil chegou a importar cerca de US$ 1 bilhão em algodão no passado, e que agora com o crescimento da produção interna do produto, será possível economizar US$ 517 milhões em importações no setor.
O ministro também informou que o governo está trabalhando para aumentar a produção de trigo, cujas importações hoje são da ordem de 70%, basicamente da Argentina. A colheita estimada de trigo para este ano é de 2,402 milhões de toneladas - a mesma do ano passado.


