Campinas Em uma semana o número de queimadas no País, detectadas pelo satélite NOAA-12, passou de 4.928 de 1 a 7 de agosto para 12.910, de 8 a 14. Esse número é 73% maior do que o registrado no mesmo período de 2001.
Os focos se concentram no Brasil Central, onde a seca de inverno é maior do que o normal e favorece a propagação do fogo. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás têm diversas regiões com grande quantidade de focos. Um pouco mais ao norte, no chamado Arco do Desmatamento da Amazônia, também cresce o número de registros.
Há focos de fogo ao longo da BR-364, desde o Mato Grosso até Rondônia. Muitas propriedades agrícolas, pequenas e grandes, localizadas junto à rodovia, estão usando fogo. O mesmo acontece nas proximidades da rodovia Belém-Brasília e da Transpantaneira, no Mato Grosso do Sul.
As áreas mais críticas são o Pantanal ao sul de Corumbá e ao redor de Nhecolândia, além da região de Promissão e Bataiporã (MS); o norte de Cuiabá, a Serra dos Apiacás, Alta Floresta, Sinop e às margens do rio Araguaia (MT); Vilhena, Cacoal, Pimenta Bueno, Serra dos Parecis e Porto Velho (RO); Serra do Cachimbo, alto e médio Xingu, Conceição do Araguaia, Serra dos Carajás e Itinga (PA); de Palmas a Pedro Afonso e toda a região de Bom Jardim de Goiás (TO); boa parte do cerrado a nordeste do Distrito Federal (GO); Açailândia, Serra do Itapicuru e Tasso Fragoso (MA) e toda a faixa no extremo oeste da Bahia, da Chapada das Mangabeiras à Serra da Suçuarana.
Áreas indígenas - De acordo com o serviço especial de monitoramento em unidades de conservação e áreas indígenas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), nesta primeira quinzena de agosto também foram detectados incêndios nos parques nacionais do Araguaia, no Tocantins (38 focos); Ilha Grande, no Paraná (6 focos); Serra da Canastra, em Minas Gerais (3 focos); Brasília, no Distrito Federal (2 focos); Serra das Confusões, no Piauí (1 foco); e São Joaquim, em Santa Catarina (1 foco).
Diversas florestas nacionais (flonas) foram atingidas por incêndios, sendo as flonas de Bom Futuro, em Rondônia, e de Itacaiúnas, no Pará, os dois piores casos, com 20 e 19 focos de incêndio em 15 dias. Queimaram ainda as flonas Tapirapé-Aquiri (3 focos), Tapajós (3 focos) e Carajás (2 focos), no Pará, além da flona de Jamari, em Rondônia, com 3 focos.
A Estação Ecológica Uruçuí-Una, no Piauí, continua queimando, como já havia sido detectado em julho. Entre 1 e 14 de agosto foram 21 focos, registrados pelo satélite. Também foram atingidas as Reservas Biológicas de Gurupi, no Maranhão (4 focos), e Guaporé, em Rondônia (1 foco). O uso do fogo pode ser autorizado em propriedades agrícolas, mas nos parques e nas florestas nacionais é crime e nas estações ecológicas e reservas biológicas é gravíssimo. Muitas vezes, os incêndios em unidades de conservação têm início em queimadas agrícolas.
Nas áreas indígenas o fogo é usado para limpar as áreas de roça. A intensidade com que algumas áreas queimaram nestes primeiros dias de agosto, porém, indica a carência de orientação quanto ao controle do fogo. Na terra indígena Apyterewa, no Pará, foram 181 focos; entre os Marawaitsede, no Mato Grosso, foram 159 focos; nos Kadiwéu, no Mato Grosso do Sul, 118 focos e no Parque Indígena do Araguaia, 68 focos.

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