Recife, 25 (AE) - As prefeituras de Afogados da Ingazeira e Tabira, no sertão pernambucano, decretaram feriado municipal hoje, em protesto contra o descaso do Governo Federal em relação à seca. Nas duas cidades, trabalhadores rurais e sindicalistas foram às ruas, em passeata, com o apoio da igreja, a fim de denunciar a situação de miséria e fome da região.
Além de um plano permanente para o enfrentamento da seca
prefeitos e trabalhadores reivindicam manutenção das frentes produtivas, ampliação do número de alistados, pagamento dos salários atrasados (junho, julho e agosto), e aumento do seu valor - dos atuais R$ 48,00 para R$ 136,00. Eles também querem que os produtos da cesta básica (que teve redução no volume e valor nutritivo) sejam comprados nos municípios, a fim de garantir qualidade dos alimentos e de estimular o comércio local
que está à bancarrota. Os prefeitos Giselda Simões (PPS), de Afogados da Ingazeira, e Josete Amaral (PSB), de Tabira, decidiram decretar o feriado, a despeito do adiamento, para 15 de setembro, da manifestação "SOS Seca - O povo exige respeito". Coordenado pela Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), o movimento previa a paralisação, hoje, de pelo menos 80 municípios que sofrem os efeitos da estiagem.
Em reunião realizada na segunda-feira, a maioria dos prefeitos preferiu aguardar um encontro marcado para a próxima terça-feira, com o superintendente da Sudene, Aloísio Sotero, quando deverá ser elaborado um novo plano de ações para o combate à seca. "A mobilização continua, apenas vamos esperar pela reunião com a expectativa de medidas concretas", explicou o presidente da Amupe, Sérgio Miranda. "Se nada ficar definido, haverá paralisação não somente dos prefeitos pernambucanos, mas também de outros Estados do Nordeste".
O bispo de Afogados da Ingazeira, dom Francisco Austregésilo, encabeçou a passeata que, segundo seus cálculos, levou pelo menos 3 mil trabalhadores às ruas. Ele aceitou comandar a manifestação para expressar o seu caráter pacífico e sem filiação partidária. "A situação é de desespero", afirma. "O número de necessitados aumentou, as campanhas de alimentos acabaram, o comércio está se acabando, a população do campo está enfraquecida e com fome".

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