Seca faz aumentar número de queimadas
Agência Folha
De São Paulo
O número de queimadas em Mato Grosso em junho e julho deste ano foi 49% maior que o registrado em igual período de 98, indicam dados coletados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Levantamentos diários feitos por sensores do satélite NOAA 14 nos meses de junho e julho deste ano identificaram 4.183 focos de calor (locais onde há ocorrência de queimadas) no Estado.
No ano passado, nestes mesmos meses, o total de focos identificados pelo satélite foi de 2.806. As queimadas se intensificam no Centro-Oeste e Norte do País durante o inverno, época em que os pecuaristas, principalmente, colocam fogo nas pastagens secas para que um pasto melhor cresça na primavera. Segundo o engenheiro Sérgio Pereira, do Inpe, existe uma série de variáveis que podem ter provocado o aumento do número de queimadas, entre elas o tempo mais seco que está sendo registrado nesta região do Brasil neste ano.
No Mato Grosso do Sul, por exemplo, a umidade relativa do ar chegou a 18% em Campo Grande anteontem, o nível mais baixo registrado na cidade desde 27 de agosto de 1997 (15%).
Ainda não choveu na capital do Mato Grosso do Sul neste mês e o volume total de chuva registrado em julho foi de apenas 11,2 milímetros (em 98, choveu 39 milímetros na cidade no mês de julho).
No Mato Grosso, a umidade relativa do ar é normalmente mais alta, pela presença das florestas, mas ainda assim está abaixo da média registrada no ano passado, que foi de 79% no mês de agosto. Ontem, a umidade relativa do ar em Cuiabá foi de 41%.
A técnica Solange Silva e Souza, do Grupo de Queimadas do Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), diz que a prática da queimada nestas regiões resulta em uma pior qualidade do ar para as comunidades envolvidas.
Sobre o aumento dos focos, ela diz que ele ocorreu nas queimadas registradas durante o dia, mas que houve uma redução nos pontos de fogo à noite. Temos dados de satélites noturnos que indicam uma redução das queimadas à noite. Isso mostra que, apesar de continuarem, as queimadas estão sendo melhor controladas , afirma.
Segundo a técnica, os focos aumentaram nas áreas agropecuárias, mas as florestas, principalmente no Mato Grosso, estão sendo poupadas. Ainda não registramos nenhum grande incêndio florestal neste inverno, afirma.





