Pelo menos 500 peixes-boi foram mortos nos últimos dias por causa da seca dos rios, somente no Estado do Amazonas. Se prevalecerem os índices de mortalidade dos últimos três anos, a previsão é que pelo menos 1.200 animais, considerados em extinção, sejam abatidos. Segundo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), os peixes ficam presos nos lagos que estão secando rapidamente e se tornam presas fáceis para o homem.
Uma operação de emergência, que seria realizada pelo Ibama esta semana para tentar salvar os peixes-boi foi suspensa por falta de recursos. Segundo um levantamento do Ibama, as matanças estão acontecendo em rios próximos aos municípios de Manacapuru, Tefé, Lábrea e Balbina, onde também estão sendo abatidos pirarucus e até mesmo botos, sendo que esta espécie em pequena escala.
‘‘Estamos fazendo um cadastro para avaliar quantos animais foram mortos pelo homem até agora por causa da seca dos rios’’, afirmou o superintendente do Ibama no Amazonas, Hamilton Casara. Ele não arrisca dar um número de mortes, mas acredita que seja superior a 500, em função da quantidade de lagos que já estão praticamente secos.
O peixe-boi é considerado hoje uma das principais espécies em extinção na Amazônia. Até mesmo nos rios onde havia grande quantidade desta espécie, a caça predatória praticamente os eliminou. Por ser um peixe de grande porte e dócil o peixe não foge e é morto facilmente.
Segundo o presidente do Ibama, Eduardo Martins, a Amazônia nunca sofreu uma seca tão violenta nos últimos 118 anos. Isso seria ainda efeito do fenômeno ‘‘El Ni¤o’’ que causou uma forte estiagem na região, ocasionando incêndios sem proporções, como em Roraima, no início do ano.

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