Seca deve dar prejuízo de R$ 24 milhões em Cruz Alta
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quinta-feira, 27 de janeiro de 2000
Por Sérgio Bueno 
Cruz Alta, RS, 27 (AE) - A seca que está afetando as principais regiões produtoras do Rio Grande do Sul desde novembro deve causar um prejuízo de R$ 24 milhões para a economia de Cruz Alta, 341 quilômetros a noroeste de Porto Alegre. O valor que deixará de circular na economia do município é superior ao orçamento da prefeitura, que, este ano, é de R$ 22 milhões, informou o técnico do escritório local da Emater-RS, Jorge Vargas.
A estimativa de perda leva em conta os danos provocados pela estiagem em todo o setor agropecuário, incluindo hortigranjeiros e produção de leite. A maior parte, porém, está concentrada nas culturas principais, soja e milho, que, juntas, acumulam uma previsão de quebra de quase 74 mil toneladas, o equivalente a R$ 20,6 milhões.
Com 110 mil hectares plantados (3,6% da área total do Estado), a soja responde pela maior parte do prejuízo absoluto, embora o porcentual de quebra projetado - 25% - seja menor do que no milho. De acordo com Vargas, a estimativa inicial de rendimento das lavouras do produto era de 2 mil quilos por hectare (cerca de 33 sacos), mas não deverá passar de 1.500 quilos (25 sacos). Em consequência, a produção final deverá cair de 220 mil para 165 mil toneladas, com perda de R$ 16,2 milhões.
Segundo Vargas, não houve redução de área destinada à soja este ano, mas 25% das lavouras foram plantadas após o fim do período recomendado, que termina em 10 de dezembro. Com a redução dos índices de precipitação entre 40% e 50% em dezembro e janeiro em comparação com as médias do período, as plantas também se desenvolveram mal e, em alguns casos, estão florescendo com metade do tamanho normal.
A seca contribui ainda, de acordo com o técnico, para o aparecimento de pragas, como a broca-do-talo e o gafanhoto. Como os insetos ficaram sem gramíneas para comer, passaram a atacar a soja.
No milho, a estimativa é de uma diminuição de 52.800 para 43.100 toneladas na produção, uma quebra de 33%. A diferença, de 21.700 toneladas ou 361.800 sacos, representa um prejuízo de mais R$ 4,4 milhões para o município. As perdas incluem o abandono de pelo menos 900 hectares, que foram substituídos por outras culturas, como o sorgo.
Segundo Vargas, a colheita do milho foi iniciada esta semana e atinge cerca de 3% da área plantada. "Produtores grandes, com potencial para tirar 120 sacos por hectare, estão colhendo 60", revela o técnico da Emater-RS, o que pode ampliar as perdas projetadas até aqui.


