Recife, 27 (AE) - O coordenador do Programa de Combate aos Efeitos da Seca, Múcio Wanderley, da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), afirmou hoje que a região encontra-se em pior situação hoje do que no ano passado. "Além da falta de chuva em grande parte do semi-árido e da impossibilidade de safras, a região, que enfrenta o segundo ano consecutivo de estiagem, está sem reserva de água que assegure o abastecimento até o próximo período chuvoso, que vai de favereiro a maio", disse.
Os Estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas vivem um quadro dramático. Ali, o agricultor só produziu algo em certos bolsões atingidos por chuvas irregulares ou em áreas irrigadas. As poucas chuvas também não proporcionaram reposição de água nem uma consequente regularização no abastecimento. Em Pernambuco, o Instituto de Pesquisas Agronômicas do Estado não conseguiu instalar qualquer projeto ou experimento agrícola. No Agreste não houve sequer chance de plantio.
Até mesmo a zona da mata, que é uma área úmida, foi atingida pela estiagem provocando uma quebra da safra de cana-de-açúcar da ordem de 40%. De acordo com Wanderley, as chuvas desse ano permitiram boas safras no Piauí, norte do Ceará e oeste da Bahia. "O Ceará e o Piauí tiveram, talvez, a maior safra de grãos de sua história e também repuseram suas reservas de água", disse. Já o território cearense que faz fronteira com o Rio Grande do Norte, registrou apenas chuvas isoladas.
Devido a gravidade da estiagem está sendo mantido, desde o ano passado, o abastecimento através de carros-pipa, no Rio Grande do Norte a Sergipe. Atualmente, segundo Múcio Wanderley, o programa de emergência do governo federal atende a 706 municípios com alistamento em frentes produtivas, distribuição de cestas básicas e carros-pipa. No auge da seca, em dezembro do ano passado, o programa beneficiou 1.285 municípios, incluindo o Norte de Minas e parte do Espírito Santo.
As regiões que se mantêm no programa não estão satisfeitas. Os prefeitos denunciam descaso, os sindicatos de trabalhadores rurais e a igreja reclamam do atraso no pagamento dos alistados e do pequeno salário que lhes é pago (R$ 48,00) e afirmam que as cestas são menores, têm menor valor nutritivo e muitas vezes incluem alimentos estragados. Também reivindicam a ampliação do programa.
Os que deixaram o programa por conta das chuvas ocorridas no início do ano querem retornar. É o caso do Piauí, Minas Gerais, parte do Ceará e parte da Bahia. A fim de detalhar as necessidades de cada Estado num relatório de pleitos a ser analisado pelo governo federal, a Sudene reúne terça-feira, em sua sede, secretários estaduais, representantes de associações de municípios e de trabalhadores.

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