O governo da Paraíba cortou o abastecimento de água de 37 municípios do interior por causa da estiagem que se agrava no sertão nordestino. Hoje a Companhia de Água e Esgoto da Paraíba (Cagepa) vai iniciar o racionamento em Patos e já estuda um rodízio no fornecimento em Campina Grande, a segunda cidade do Estado. Em alguns municípios a distribuição de água está sendo feita a cada cinco dias.
Segundo o diretor de expansão da Cagepa, Guarani Viana, a situação é grave no interior. ‘‘Cortamos o fornecimento em 37 municípios por absoluta falta de água’’, afirma Viana. ‘‘O único jeito de levar água para os moradores dessas cidades é com carros-pipa.’ Uma das cidades mais atingidas é Soledade, no Cariri. Os moradores têm direito a apenas 80 litros de água a cada dois dias.
‘‘Essa água a gente usa para lavar roupa e a louça, tomar banho e, algumas vezes, bebe’’, diz a dona de casa Margarida Emília dos Santos. Ela e centenas de pessoas formam uma imensa fila em um poço na barragem de Macambira, que não enche há três anos. Um carro-pipa abastece o reservatório com água imprópria para beber.
Viana diz ser provável que a Cagepa faça rodízio também em Campina Grande, um dos maiores municípios paraibanos. Os 37 municípios onde não há mais fornecimento de água estão localizados nas regiões do Cariri, Sertão e Curimataú.
O presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou ontem, depois de ver os primeiros resultados do programa Asa Branca - de monitoramento de ações do governo no combate à seca do Nordeste - que a indústria da seca é coisa do passado. ‘‘Os recursos chegam na ponta e não dá tempo de haver a barreira dos interessados, da má-fé, que atrapalham o atendimento da população.’
No discurso Fernando Henrique não fez qualquer referência ao agravamento da seca na região do semi-árido, mas pediu à população que evite o desperdício de água ‘‘porque a estiagem vai durar e não acaba de repente, do dia para noite’’. Após ouvir do ministro do Planejamento, Paulo Paiva, que 1004 dos 1314 municípios atingidos pela seca foram visitados pelos agentes do Asa Branca.
O presidente ficou no Ministério do Planejamento por mais de uma hora e visitou a sala para a qual são enviadas as mensagens, via computador, sobre a distribuição de cestas de alimentos, resultado das frentes de trabalho e obras feitas para amenizar a seca. O Asa Branca entrou em funcionamento no dia 8 de julho deste ano e custou ao governo R$ 700 mil reais.

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