A massa de ar quente e seco que toma conta do Paraná não deve dar trégua nos próximos dias, agravando os riscos de incêndio e os incômodos causados pelo clima. Vários municípios já apresentam índices de umidade relativa do ar inferiores a 20%, caracterizando estado de alerta, de acordo com critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS). A pior situação foi registrada em São Miguel do Iguaçu (Oeste), onde o índice chegou a 18,8% (veja quadro nesta página). A maioria das cidades paranaenses, segundo a Defesa Civil do Estado, apresenta risco extremo ou elevado para incêndios.
''Maringá e Londrina lideram o ranking da quantidade de atendimentos a incêndios de vegetação no Estado, seguidas dos municípios dos Campos Gerais, Curitiba e Região Metropolitana de Curitiba'', informou o chefe da seção operacional da coordenadoria estadual da Defesa Civil, tenente Eduardo Gomes Pinheiro. Ontem, até as 17h30, o Corpo de Bombeiros de Londrina havia atendido sete ocorrências. A média de atendimentos do grupamento tem sido de 10 por dia.
Pelos critérios da OMS, os índices de umidade relativa do ar inferiores a 30% caracterizam estado de atenção; de 20% a 12%, estado de alerta; e abaixo de 12%, estado de alerta máximo. No Norte do Estado, além da baixa umidade, a população sofre com a presença de poluentes originários das regiões Oeste e Sudoeste do País - inclusive partículas resultantes de queimadas -, que são trazidos pela circulação atmosférica. São estes poluentes que, segundo a meteorologista do Instituto Tecnológico Simepar em Londrina, Angela Beatriz Costa, causam a névoa facilmente vista no horizonte, nos últimos dias.
Dados da Defesa Civil do Paraná indicam que nos primeiros seis meses de 2010 a área queimada no Estado já superou em muito os números de 2009. Enquanto em todo o ano passado 6,9 mil hectares (ha) foram atingidos pelo fogo, este ano mais de 17 mil ha já foram dizimados. Chama a atenção, porém, o fato de que, embora seja maior a área destruída, o número de incêndios florestais em 2010 é menor: 4.730 contra 7.198 em 2009. Um dos motivos pode ser a dificuldade de acesso às áreas atingidas, agravando os efeitos do fogo.
Além da vegetação que se perde e dos vários fatores negativos associados aos incêndios - como destruição da fauna e riscos à rede elétrica - o tenente Pinheiro ressalta que o combate ao fogo em matas é um dos trabalhos mais arriscados para os bombeiros, inclusive com registro de mortes de profissionais, no passado. ''O pior é pensar que a imensa maioria das ocorrências é causada pela ação humana, e que, portanto, poderia ser evitada.''

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