Recife, 15 (AE) - Cerca de 90% das prefeituras de Pernambuco e de Alagoas paralisaram suas atividades hoje em protesto contra o tratamento dado à seca no semi-árido nordestino pelo governo federal. As principais rodovias de Pernambuco foram interditadas em 17 pontos - do sertão à região metropolitana - por cerca de uma hora, pela manhã.
O movimento, que deveria atingir todo o Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo, ficou restrito aos dois Estados porque ontem(14) o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, acatou parte das reivindicações dos prefeitos, prometendo ampliação das frentes produtivas, maior número de carros-pipa, aumento do salário dos alistados de R$ 48,00 para R$ 68,00 (56 da União e 12 dos Estados) e manutenção do programa de emergência até fevereiro.
O presidente da Associação Municipalista de Pernambuco (Amupe), Sérgio Miranda, disse não estar satisfeito apenas com as medidas anunciadas pelo ministro, embora as considere uma vitória do movimento. Ele garante que na próxima semana os prefeitos de todo o semi-árido estarão fazendo um documento insistindo na necessidade de medidas de caráter permanente em relação à seca.
Beneficiados - "O ministro desmobilizou esta manifestação, mas não vai quebrar a união dos prefeitos em torno das reivindicações que podem tornar a região apta a conviver com a seca", afirmou Miranda. "Estamos cansados de pedir esmolas a cada estiagem". De acordo com Miranda, a maioria dos Estados desistiu de participar da paralisação de hoje por ter sido beneficiada. "Maranhão, Piauí, Ceará, Espírito Santo e Minas Gerais estavam fora da emergência e foram reincluídos e Sergipe e Bahia vão ter um grande aumento do número de alistados" afirmou. Há 40 dias, disse, o ministro Fernando Bezerra não queria nem receber os prefeitos. "Com a expectativa da paralisação, ele nos chamou ao seu gabinete e aceitou parte das solicitações."
Os prefeitos querem a manutenção do programa de combate aos efeitos da seca por um período de cinco anos, tempo em que seriam mantidas as frentes produtivas e os municípios receberiam em torno de R$ 10,00 por alistado para investir em infra-estrutura hídrica.
Na avaliação de Miranda, o protesto foi forte em Pernambuco e Alagoas porque a mobilização dos prefeitos era maior e por causa da situação crítica em que se encontram esses Estados, dois dos mais afetados pela seca. "Mesmo assim, a adesão foi maior que a esperada", afirmou Sérgio Miranda. Do total de 184 municípios, mais de 160 participaram - 80% deles decretando feriado e 20% ponto facultativo.
Nos pontos de interdição de rodovia, prefeitos, políticos e a população fizeram manifestações, denunciando o estado de miséria da população. Um destes pontos - a BR-101, na altura do Cabo, na região metropolitana - reuniu 3,5 mil pessoas de 9 municípios vizinhos, segundo a Polícia Militar. Elas começaram a chegar ao local às 9 horas. Uma hora depois, a estrada foi bloqueada por um caminhão, onde se improvisou um palanque. Às 11h30 o tráfego foi liberado.

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