Seca ameaça 51 cidades do Sul e do Sudeste
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quinta-feira, 24 de outubro de 2002
Iuri Dantas<br> Agência Folha 
Brasília - Após dois anos de criação da ANA (Agência Nacional de Águas) e de seis anos com chuvas abaixo do necessário para repor o nível dos reservatórios, o governo federal diagnosticou a necessidade de implantar medidas para evitar crises no abastecimento.
De acordo com o ministro José Carlos Carvalho (Meio Ambiente), 51 cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná estão em situação ''preocupante''. Ou seja, caso não chova nos próximos dias há o risco de a população não ter o mínimo de água recomendado pela OMS (Organização Mundial da Saúde). O organismo recomenda que cada habitante use ao menos 80 litros diários.
O município mineiro de Uberaba ocupa o topo da lista elaborada pelo governo. O reservatório que abastece a cidade está com 4% da capacidade normal. Devido à seca e ao uso não-autorizado dos mananciais por empresas e indústrias, o rio Paraíba do Sul, que abastece a região, fica prejudicado.
O rio está com 88% da vazão normal. A ANA espera que o volume retorne ao normal em novembro, quando termina o período de estiagem e as chuvas recomeçam. A margem esquerda do rio, que fornece água para Uberaba, está com apenas 32% do volume de vazão.
Segundo informações da ANA, cerca de 70% da água potável no Brasil é utilizada para irrigação. O uso de métodos antiquados estaria provocando desperdício. Os demais 30% estariam voltados para o uso de empresas e da população.
Segundo o ministério, o ideal é que os governos estaduais e municipais elaborem leis para cobrar o fornecimento de água feito para empresas. No caso do Paraíba do Sul, uma comissão deve instalar a cobrança a partir de novembro.
Para cada 1 milhão de litros retirados, as empresas deveriam pagar R$ 28.


