Brasília, 27 (AE) - O presidente do Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae), Sérgio Moreira, disse hoje que a instituição está passando por um processo completo de reestruturação, cujo resultado será a canalização de suas ações para projetos que gerem maior emprego e renda no País. A base dessa reestruturação é um programa de redirecionamento estratégico que será submetido ao seu Conselho Deliberativo Nacional no dia 24 de junho próximo. Sérgio Moreira explicou que em consequência desse trabalho o número de projetos que o sistema apóia atualmente, cerca de 700, será reduzido.
"O Sebrae irá centrar suas ações em poucos projetos estratégicos, mas suficientes para gerar impacto nos pequenos negócios", observou. Um dos objetivos do "novo Sebrae", segundo Moreira, que assumiu o cargo em janeiro último, é o de aumentar a participação dos pequenos negócios nas exportações. Segundo ele, a intenção é a de que em dois anos (até 2001) as pequenas e médias empresas respondam por mais de 10% da pauta de exportações. Este, reconhece, será um grande esforço, uma vez que as exportações do segmento hoje são menos de 2% nos US$ 53 bilhões exportados pelo País. Segundo ele, o Sebrae irá apoiar a substituição de importações, principalmente nas cadeias produtivas, assim como apostar na capitalização das empresas com potencial exportador.
Entre os projetos considerados estratégicos pelo Sebrae no comércio exterior, estão os consórcios de exportação, cujos projetos serão parcialmente financiados pela Agência de Promoção às Exportações (APEX) a partir do segundo semestre deste ano. Moreira disse ainda que o comércio eletrônico receberá atenção especial, uma vez que é um dos mais democráticos instrumentos de acesso a mercados. O Sebrae irá apoiar, também através da APEX, projetos de venda direta ao consumidor através da Internet. A instituição também pretende participar da construção e manutenção de infra-estrutura externa para "show-rooms" no exterior, para facilitar a venda de produtos de pequenas empresas no mercado internacional.
Moreira explicou que o orçamento do Sebrae para este ano é de R$ 1,4 bilhão (R$ 100 milhões a menos que o ano passado), provenientes de 0,3% sobre a folha de pagamento das empresas, sendo que 82% desses recursos são canalizados para os 27 Sebraes regionais. A idéia é passar um "pente fino" nos cerca de 700 projetos que vêm sendo conduzidos pelo sistema, para identificar quais os que se adequam a nova filosofia que será implementada.
O presidente do Sebrae ressaltou que a falta de crédito é um dos principais pontos de estrangulamento para a ampliação dos pequenos negócios. Dessa forma, o Sebrae irá criar alternativas que facilitem o acesso ao crédito para os micros e pequenos empresários. Entre estas, citou o microcrédito, sistema pelo qual o Sebrae aportará recursos para fundos a serem dirigidos por entidades não governamentais (ONGs) e instituições financeiras especializadas em conceder financiamentos para pequenos negócios. Como exemplo, citou o "Banco do Povo", que financia a compra de máquinas de costura e freezers, para que donas-de casa possam trabalhar por conta própria.
O fortalecimento do Fundo de Aval do Sebrae, que hoje garante 50% de empréstimos tomados junto a bancos oficiais e de desenvolvimento, foi outro ponto citado por Sérgio Moreira. Segundo ele, o Fundo também irá avalisar empréstimos do BNDES voltados à exportação, em até 80% do valor do financiamento que terá como limite R$ 300 mil. A idéia também é a de estimular as cooperativas de crédito, seguindo o modelo italiano. "Esta é uma espécie de garantia solidária que pode ser utilizada para pequenos negócios de comunidades carentes", observou.
O presidente do Sebrae também enfatizou a necessidade de incentivar a inovação tecnológica, uma das principais deficiências do País. A intenção, conforme ele, é a de intensificar o apoio às empresas de base tecnológica através do aporte de capital de risco. O Sebrae também irá estimular a geração de pequenos negócios em tecnologia de ponta. Como apoio nesse sentido, disse que o Sebrae poderá dar condições especiais em suas compras de serviços na área de tecnologia de informação às micros, pequenas e médias empresas do setor.

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