Sebrae e Bid negociam programa de atuação para os próximos 5 anos4/Mar, 13:56 Por Gecy Belmonte Brasília, 4 (AE) - O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (Sebrae) estão negociando um programa de atuação conjunta para os próximos cinco anos de cerca de US$ 50 milhões iniciais, segundo informação do presidente do Sebrae, Sérgio Moreira. Esses recursos serão aplicados em projetos de fortalecimento de micros e pequenas empresas nacionais. O BID participará do programa por meio do Fundo de Investimentos Multilaterais (Fumin), orgão vinculado ao Banco. A agenda comum entre o BID e o Sebrae abrangerá concessão de microcrédito, fundos de capital de risco para empresas emergentes que operem com inovação tecnológica, capacitação de micros e pequenas empresas em comércio eletrônico e apoio aos dekasseguis (brasileiros descendentes de japoneses que trabalham no Japão). Sérgio Moreira, que esteve reunido na semana passada tratando do assunto com o presidente do BID, Henrique Iglesias, durante a sua visita a Brasília, destaca a atuação entre o Sebrae e o Fumin na instituição de um fundo nacional de capital de risco. Os recursos desse fundo poderão ser aplicados para financiar empresas emergentes voltadas ao desenvolvimento de contéudo tecnológico. Segundo ele, o Sebrae e BID já atuam conjuntamente em um fundo desse tipo no Rio Grande do Sul, o RSTEC. O presidente do Sebrae explicou que nesse tipo de fundo os investidores se tornam sócios de micros e pequenas empresas que desenvolvem produtos ou serviços inovadores. O financiamento dos projetos, conforme ele, ocorre pela participação societária. "Se o produto ou serviço dá certo e conquista o mercado, os investidores lucram como sócios", afirma, lembrando que as empresas têm o direito, se quiserem, de recomprar as ações que venderam na fase de desenvolvimento do projeto. O Sebrae e o Fumin , conforme Sérgio Moreira, também pretendem desenvolver projetos de capacitação para micros e pequenas empresas com atuação no comércio eletrônico. Segundo ele, o objetivo desse apoio é o de preparar as empresas para participar da realização de negócios pela Internet. "Quem não dominar a Internet como instrumento de negócios pode ficar à margem do mercado", ressaltou. Crédito - Com relação ao microcrédito, Sérgio Moreira informa que a intenção é a de constituir um fundo no total de US$ 30 milhões, formado com recursos (meio à meio) do Sebrae e do Fumin. Esse fundo será destinado à estimular a criação de sociedades de microcrédito, uma espécie de organizações não governamentais com capital majoritariamente privado. Ele lembra que atualmente o Sebrae já opera com este tipo de financiamento, em média de R$ 800,00, só que usado na capacitação dos "agentes de crédito" - técnicos que levam o crédito popular aos microempresários. O Sebrae, conforme Sérgio Moreira, deverá investir US$ 3 milhões na capacitação de agentes de crédito no biênio 2000-2001 e quer que o Fundo vinculado ao BID invista o mesmo valor. Ele lembra que o sistema de microcrédito foi regulamentado pelo Banco Central no ano passado. O BC fixou em R$ 100 mil o capital mínimo das sociedades de microcrédito, sendo que os empréstimos foram limitados a R$ 10 mil, no máximo, por empréstimo. Sérgio Moreira diz que já existem várias sociedades de microcrédito operando no País, e que o Sebrae pretende financiar a formação de pelo menos 25 socieades no País inteiro nos próximos dois anos. Dekasseguis- Uma terceira parceria entre o Sebrae e o Fumin visa melhorar a aplicação da poupança que os dekasseguis anualmente mandam para o Brasil. Segundo ele, esses recursos somam cerca de US$ 2 bilhões. Uma das idéias, conforme ele, é a de desenvolver um programa específico de capacitação , com ênfase no empreendedorismo, para que os dekasseguis possam tornar-se pequenos empresários quando retornarem ao Brasil. Como segunda alternativa que o Sebrae também poderá avaliar, segundo Sérgio Moreira, é a de trabalhar junto ao Banco do Brasil - instituição que opera com os dekasseguis no Japão - para constituir um fundo. Esse fundo poderá ser constituído com 10% da poupança anualmente por eles transferida, o que resultaria em US$ 200 milhões. "Funcionaria à semelhança do fundo de capital de risco, cujos recursos são aplicados em empreendimentos voltados principalmente à Constituição de novos negócios", afirma o presidente do Sebrae.