Se Ultra não comprar Politeno, SPE com BNDESPar não sairá
Se Ultra não comprar Politeno, SPE com BNDESPar não sairá6/Mar, 12:04 Por Viviane Mottin São Paulo, 6 (AE)- A venda do controle da Companhia Petroquímica do Nordeste (Copene) pelo consórcio formado pelos Grupos Odebrecht, Mariani e Conepar, para o grupo Ultra em associação com o BNDESPar, pode estar ameaçada. Isso, porque a formação da Sociedade de Propósito Específico (SPE) idealizada pelo BNDESPar, depende da compra da Politeno pelo Grupo Ultra. Se isto não ocorrer, não receberá o aporte de US$ 1,4 bilhão para a compra do controle da Copene. A informação corre nos bastidores do governo federal, mas ninguém explica por que a venda de um ativo está ligado a de outro. Para o Ultra, a compra da Politeno representa dispersão de recursos que poderiam ser concentrados na aquisição da Copene. Mas não seria dinheiro desperdiçado, pois a própria direção do Ultra defende que a Politeno é o elo produtivo seguinte da cadeia ligada à Copene. Em meio a especulações no setor petroquímico, há quem diga inclusive que a entrada do BNDESPar (17% de participação) na sociedade entre Petrobras (16%), grupo Suzano (33,5%) e Unipar (33,5%), que formam a Rio Polímeros, controladora do pólo gás-químico fluminense, tinha como condição a venda da Politeno, pelo grupo Suzano, para a Oxiteno, do Ultra. Isso, porque o Suzano se capitalizaria garantindo seu aporte de capital no novo empreendimento. A Politeno, indústria petroquímica do pólo de Camaçari (BA), é controlada pelos sócios Cia. Suzano de Papel e Celulose (com 35% das ações ordinárias), Itochu Corporation (10%), Sumitomo Chemical (20%) e Conepar (35%). A Conepar está sob intervenção do Banco Central, porque faz parte dos ativos que deverão reduzir o passivo do Banco Econômico, cujo quadro de credores deverá ser publicado ainda este mês. Para a Conepar, não é negócio ficar como sócia minoritária na Politeno, pois a venda de suas ações ordinárias, posteriormente, não alcançaria um bom preço no mercado. De acordo com o setor petroquímico, foi esta a lógica que levou o governo federal a intervir na venda do controle da Copene, que antes seria feito individualmente pelas sócias, transformando-o em consórcio, para valorizá-lo mais. Para o BC, quanto mais valorizados os ativos de ¶ngelo Calmon de Sá, maior a garantia de saldar todas as dívidas do banqueiro baiano, o que inclui pendências trabalhistas, com o governo federal (Proer) e com clientes do banco, entre outros. No mercado, há quem aposte que essas contas serão fechadas até o final do ano, com saldo positivo para Calmon de Sá, graças à desvalorização do real frente ao dólar. O valor do passivo ainda não foi revelado e o dos ativos petroquímicos estão em avaliação. Negociações - Voltando à Politeno, as ações dos sócios Suzano, Itochu e Sumitomo, que somadas darão o controle da Politeno ao comprador, estão à venda desde o ano passado. As propostas dos interessados foram entregues em dezembro passado, mesmo período em que foi assinado o acordo para a construção do pólo gás-químico do Rio de Janeiro. Dois meses depois do leilão privado, em fevereiro, a Politeno ainda não havia se manifestado sobre os interessados na compra ou o valor das propostas. Há cerca de 10 dias, em exposição na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) sobre os resultados da Oxiteno (grupo Ultra) seus executivos disseram que a empresa está em negociações finais para a compra da Politeno. Questionados sobre a posição da Conepar enquanto acionista e compradora preferencial, eles preferiram não detalhar a situação. O problema é que, segundo fontes próximas a Calmon de Sá, a Conepar não vai abrir mão de seu direito de preferência na compra do que as outras sócias na Politeno estão colocando à venda. Até o mês passado, a Conepar sequer havia sido informada sobre o valor das propostas feitas pelas empresas interessas na compra do controle da Politeno. "A posição mais cômoda para o interventor é exercer o direito de preferência, porque assim não corre o risco de devalorizar o capital", afirma uma fonte do setor financeiro que prefere não ter seu nome publicado, referindo-se ao ativo petroquímico do Econômico. Essa mesma fonte garante que a proposta que melhor convergiu com os interesses dos sócios da Politeno (menos Conepar) foi a do Ultra. Para o Ultra, a aquisição do controle da Copene não depende da compra da Politeno. A Politeno possui 12,47% do controle da Norquisa, por sua vez sócia majoritária na Copene. Já o Ultra, por meio da Oxiteno, tem 10,35% das ações ordinárias da Norquisa. Os porcentuais de ações de uma e outra somam 22,82% da Norquisa, aumentando a participação na Copene, caso o Ultra comprasse a Politeno, embora não garanta controle nem preferência no momento em que os 55,6% de ações ordinárias da central de matérias-primas do pólo de Camaçari (BA) forem vendidas.





