Se nada for feito, Igapó continuará transbordando
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quarta-feira, 20 de junho de 2012
Silvana Leão <br> <br> Reportagem Local 
Londrina - O novo transbordamento do Lago Igapó, anteontem, reacendeu a luz vermelha dos problemas ambientais da cidade. Só se passaram oito meses desde que os londrinenses assistiram, surpresos, aos estragos provocados pela força de suas águas, que destruíram parte da infraestrutura no entorno da barragem, na Rua Almeida Garret (Zona Sul). Cada dia mais assoreado, o lago tornou-se uma ameaça em dias de intensa precipitação, pois já não consegue dar vazão ao grande volume de água que chega de uma vez, com a força redobrada ao longo dos muitos caminhos impermeabilizados, como calçadas inteiramente de concreto e ruas asfaltadas.
''Se nada for feito, novos problemas virão, principalmente quando entrarmos no período de chuvas torrenciais, que vai de novembro a fevereiro. É preciso investir na drenagem urbana e em um sistema de contenção da água da chuva, que na área central é quase toda direcionada ao Igapó'', alerta a coordenadora do Curso de Gestão Ambiental da Unopar, Claudia Cristina Ciappina Feijó.
Para a professora, estamos vivendo hoje os efeitos da falta de planejamento para a expansão da cidade e da falta de cuidados com os recursos naturais. ''Há um descaso com estas questões, não se investe na prevenção de desastres ambientais. Para piorar, também falta educação ambiental à população. Os despejos irregulares de resíduos nos leitos dos rios e fundos de vale, por exemplo, só agravam a situação.''
O secretário municipal de Ambiente, Gilmar Domingues Pereira, afirma que a solução para o problema é cara e depende de ações em várias frentes. ''O volume de resíduos no Igapó é monstruoso e o trabalho de limpeza é caríssimo, por isso já estamos trabalhando em um Plano Diretor de Drenagem Urbana, que deve incluir o plantio de árvores e a revisão da rede de águas pluviais, que hoje está subdimensionada'', admite o secretário. Ele informou que entre os meses de julho e agosto deve ser realizada audiência pública para discutir a arborização urbana.
Pereira observa que o volume de água que caiu na região nos últimos dias foi fora do normal, mas reconhece que a impermeabilidade do solo urbano contribui para os estragos. E a população, diz ele, tem boa parcela de culpa: ''Pela legislação, cada lote urbano tem que manter 20% da área permeável, o que é necessário para manter a drenagem natural. Mas as pessoas não obedecem. Assim que a obra é submetida à perícia e a licença é aprovada, elas vão e concretam tudo. Na hora da chuva, a água não é absorvida pelo solo''.
A cidade leva tempo para se recuperar da destruição causada por algumas horas de chuva forte, como aconteceu em 15 de outubro de 2011. As obras provisórias de recuperação da pista da Rua Almeida Garret só foram concluídas em dezembro, com investimento de R$ 800 mil por parte do município. A Secretaria Nacional de Defesa Civil, ligada ao Ministério da Integração Nacional, negou, na época, o repasse de R$ 21,4 milhões pedidos pelo município para recuperação de 18 pontes, cinco viadutos e vários pontos da malha viária.


