Brasília, 15 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, disse há pouco, que a briga com o presidente da Câmara, Michel Temer, ainda não acabou. Sobre a insinuação de Temer em relação às ligações de ACM com o ex-banqueiro ¶ngelo Calmon de Sá, na presidência do banco Econômico à época da intervenção pelo Banco Central, o presidente do Senado disse que não se dá com o ex-banqueiro. Disse que tem, inclusive um processo contra ele. "Se realmente o ¶ngelo é desonesto, o lugar dele não é comigo, é com o Temer", afirmou ACM.
O senador voltou a acusar Temer de ter interesses suspeitos em relação à administração do Porto de Santos. ACM disse que, se alguém tivesse que fazer política no Porto de Santos - coisa que ele não acha que deveria ser feita - seria o governador do estado de São Paulo, Mário Covas, que tem ligação com a região. "Se abrir um inquérito (do Porto de Santos) Temer ficará péssimo", disse ACM, insinuando que o presidente da Câmara interferiu na nomeação de administradores que tiveram gestão suspeita. "Temer não abre mão do cargo", disse. Segundo o senador, é preciso saber o motivo das pessoas lutarem por cargos na Receita, em diretorias da Petrobrás e nas Docas de Santos. ACM disse que a briga com Temer não prejudica o presidente Fernando Henrique Cardoso. A viagem que ele e Temer farão a Portugal amanhã juntos não ajudará na reconciliação entre os dois. "Se não existe (uma conciliação) em terra, como é que vai existir no ar?".
Classista -- Em resposta à crítica feita ontem pelo presidente do Conselho Federal da OAB, Reginaldo Castro, que disse em tom de ironia que a reforma do Judiciário acabaria sendo feita por médicos e veterinários, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, disse que a ordem está defendendo interesses corporativos e não quer melhorar o Brasil. "A Justiça do Trabalho do juiz Nicolau e muitos outros não precisa continuar", disse, referindo-se ao ex-presidente do TRT de São Paulo, Nicolau dos Santos Neto. "É preciso acabar com a farsa de criar juiz conciliador para substituir os classistas. Isso deve ter a repulsa do Brasil e da imprensa", disse.

mockup