Schvartsman diz que desconhecia riscos de barragem
Presidente afastado da Vale foi interrogado na CPI criada para investigar as causas da tragédia de Brumadinho
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sexta-feira, 29 de março de 2019
Presidente afastado da Vale foi interrogado na CPI criada para investigar as causas da tragédia de Brumadinho
Folhapress 
Brasília - Interrogado durante mais de três horas por senadores que integram a comissão parlamentar de inquérito criada para investigar as causas da tragédia de Brumadinho (MG), o presidente afastado da Vale, Fabio Schvartsman, não trouxe novidades e apenas reiterou que desconhecia os riscos de barragem. "Jamais foi informado a esta diretoria qualquer problema com a barragem de Brumadinho. A informação é que todas as barragens se encontravam em perfeito estado. No caso de Brumadinho, posso afirmar categoricamente que jamais chegou ao meu conhecimento nenhuma denúncia relatando risco iminente de rompimento de barragens. Ao contrário, todos os relatórios enviados à diretoria e ao conselho de administração indicavam estabilidade das barragens", disse Schvartsman sobre o rompimento do reservatório, que matou mais de 200 pessoas e deixou mais de cem desaparecidos.

O presidente afastado foi o primeiro convocado pela CPI de Brumadinho. Além de responder a perguntas, Schvartsman ouviu provocações de senadores. Um deles chegou a sugerir que o ex-CEO cortasse a própria língua. "Não fui conivente com coisa nenhuma", disse. Ele declarou que não é possível ainda apontar o que aconteceu e afirmou haver investigações em curso, mas levantou duas hipóteses: ter ocorrido algo que não estava previsto, fora dos itens monitorados ou leituras de informações que não foram levadas a sério. "Se existem responsáveis, se havia informações e que não foram levadas a sério, que se descubra o que aconteceu e estas pessoas sejam punidas", declarou.
Schvartsman foi confrontado com declarações que havia dado, como quando falou que a Vale não poderia ser condenada. Ele disse ter sido infeliz na escolha das palavras e se retratou. "Não só acho que a Vale pode ser condenada, como deve ser condenada quando for caracterizada a sua culpa", afirmou. Senadores indagaram Schvartsman sobre as doações de R$ 100 mil às famílias das vítimas e questionaram quanto ele recebia como presidente. Ele se recusou a responder em público. Os senadores se mostraram bastante insatisfeitos com as respostas de Schvartsman, que consideraram evasivas. "Ele domina o negócio dele e vem nos dizer que não sabe, que não teve acesso a documentação. Ao nosso ver, a empresa está montando uma grande estratégia para não dar publicidade no que aconteceu seja para os investidores estrangeiros, seja para o País. Eles querem levar para a Justiça, fazer com que os processos se arrastem no Judiciário brasileiro da mesma forma que foi com Mariana", disse o relator da CPI, senador Carlos Viana (PSD-MG).
Segundo o relator, Schvartsman será convocado novamente na comissão. A CPI decidiu que todos os próximos convocados terão de ir ao colegiado como testemunhas, para que não possam mentir. A comissão já aprovou a convocação de auditores da empresa alemã Tüv Süd, que atestou a estabilidade da barragem, de funcionários da Vale. Na próxima quinta-feira (4), está prevista uma acareação entre funcionários da empresa e da belga Tractebel, que se recusara a emitir a declaração que certificava a segurança da estrutura.


