Paris, 06 (AE) - Apesar da advertência dos eleitores - expressada nos maus resultados obtidos domingo em duas importantes eleições regionais, no Sarre e em Brandenburgo, antigos núcleos da ala esquerda do governista Partido Social-Democrata (SPD) -, o chanceler Gerhard Schroeder não hesita em reafirmar sua política de austeridade econômica, a seu ver "a única alternativa válida para o país".
Schroeder diz estar "triste e decepcionado". Segundo dados oficiais, o SPD obteve 39,3% em Brandenburgo (14,8% menos que no pleito de 1994). A União Democrata-Cristã (CDU) conseguiu 26,8% (7,9% a mais que no pleito anterior). O SPD perdeu também no Sarre. Teve ali 44,4% dos votos, 5% menos que na eleição anterior. A CDU somou 45,5% (8,41% a mais) e passou a controlar politicamente a região. Agora, Schroeder vai ter de redobrar esforços políticos para evitar resultado semelhante no fim do mês, em Berlim.
A eleição de domingo marca ainda a volta da extrema direita. Obtendo mais de 5% dos votos, os ultraconservadores terão representação no Parlamento regional, enquanto os verdes - vivendo forte contradição com seu apoio a um governo que deu uma guinada para a direita - acabaram pagando alto preço por participar do gabinete. Não conseguiram nenhuma das cadeiras disputadas naquelas regiões.
No ano passado, Gerhard Schroeder conseguiu 41% dos votos nas eleições gerais e, com o apoio dos verdes, 7% dos votos, promoveu a volta triunfal dos social-democratas ao poder. Seus principais adversários, os democrata-cristãos da CDU e do CSU, só conseguiram 35%, e os liberais 6%. Se o pleito nacional fosse hoje, segundo revela recente pesquisa, a CDU poderia voltar ao poder com 47% dos sufrágios.
Em menos de um ano, a chamada aliança verde-vermelho não funcionou como esperava o chanceler. Os debates sobre política nuclear e programa econômico de austeridade ajudaram a criar um clima de turbulências na aliança governamental.
A saída surpreendente de Oskar Lafontaine do Ministério de Finanças - representante da ortodoxia social-democrata - pode ter contribuído para Schroeder afirmar a autoridade do partido. Contudo, o chanceler perdeu algumas penas nessa arriscada operação.
O sucessor de Lafontaine, Hans Eichel, adotou drástico plano econômico, que inclui corte de 30 bilhões de marcos (cerca de US$ 16 bilhões) no orçamento alemão e alinhamento das aposentadorias à inflação (não mais aos salários reais).
Além disso, a campanha pela criação de empregos não decolou até agora. O índice de desemprego voltou a crescer em julho, atingindo o nível psicológico de 4 milhões.
No plano internacional, o manifesto conjunto com o primeiro-ministro britânico Tony Blair propondo, na véspera das eleições européias, uma terceira via mais liberal às social-democracias, teve como resultado humilhante derrota. O SPD só conseguiu reunir 30% dos sufrágios. Ainda hoje, o chanceler insiste na tese, lembrando em artigo assinado no jornal Le Monde, que em matéria de relações externas, de segurança e de paz a política não se acomoda sempre a etiquetas.
No entender de Shroeder, não existe política externa de direita ou de esquerda. Nas democracias modernas, a maior parte das grandes orientações de política externa tem sido feita mediante consenso.
É preciso, entretanto, convencer o eleitorado. Mesmo porque depois de duas derrotas seguidas em três meses, uma terceira no pleito de Berlim no fim do mês poderá comprometer a própria permanência do SPD no poder.

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