Berlim, 24 (AE-ANSA) - O chanceler social-democrata alemão, Gerhard Schroeder, pediu hoje (24) a criação de uma comissão independente para investigar o desaparecimento de importante documentação sobre a venda da refinaria Leuna (na ex-Alemanha Oriental) ao consórcio petrolífero francês Elf-Aquitaine, em 1992.
Segundo as redes de televisão ARD (alemã) e France 2, na negociação, o então ex-chanceler democrata-cristão Helmut Kohl teria recebido por ordem expressa do ex-presidente socialista francês François Mitterrand comissão de US$ 15,6 milhões para aplicar na campanha eleitoral da União Democrata-Cristã (CDU).
Schroeder assegurou que a Alemanha não enfrenta nenhuma crise de Estado em razão das denúncias envolvendo a CDU, mas exigiu dos democrata-cristãos rápido esclarecimento.
Documentos que poderiam esclarecer as acusações de suborno desapareceram sem deixar rastro, asseguraram as duas emissoras. Suspeitas sobre as irregularidades na venda da refinaria alemã ao grupo francês são antigas e há investigações em marcha tanto na Alemanha, França, Suíça e até mesmo no âmbito da União Européia (UE).
Investigadores franceses acreditam de que o consórcio pagou cerca US$ 45 milhões em comissões e propinas para ficar com a refinaria alemã.
Tanto a cúpula da CDU quanto Kohl negaram categoricamente a versão do suposto ato de suborno atribuído a Mitterrand . "Isso é um autêntico assassinato político", reagiu Kohl, que admitiu em dezembro ter criado contas secretas em bancos no Exterior - durante os anos em que dirigiu a CDU e o governo alemão - para receber "doações políticas", violando a lei de financiamento dos partidos políticos.
O atual presidente da CDU, Wolfgang Schaeuble, classificou a informação das TVs de "absurda". Também Oskar Lafontaine, ex- presidente do Partido Social-Democrata (SPD) e, na época, ferrenho adversário de Kohl, pôs em dúvida a veracidade da notícia. "Não acredito nessa possibilidade."
A cúpula da CDU negou também versões de que o partido tenha desviado mais de 20 milhões de marcos (mais de US$ 10,6 milhões) durante a administração Kohl, mas o atual tesoureiro, Mathias Wissmann, confirmou que se desconhece totalmente a origem de 12 milhões de marcos (US$ 6,2 milhões).
Kohl, forçado a renunciar à presidência honorária da CDU, desmentiu um fax que circulou hoje dando conta de que ele teria mudado de idéia, concordando agora em revelar os nomes dos doadores secretos. A cúpula democrata-cristã, por sua vez, decidiu não abrir nenhum processo judicial contra o ex-líder e negou rumores de que esteja pensando em expulsá-lo.

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