Berlim, 19 (AE-AP) - Eleitores alemães castigaram hoje (19) o chanceler Gerhard Schroeder pela quinta vez este mês, impingindo uma humilhante derrota em seus governistas social-democratas nas eleições no estado oriental da Saxônia.
Projeções da televisão baseadas em resultados parciais mostraram que o partido de Schroeder, o SPD, ficou com apenas 11 por cento dos votos - uma queda de seis pontos percentuais - no que seria sua votação mais baixa no estado desde a Segunda Guerra Mundial.
O ex-comunista Partido do Socialismo Democrático (PDS) ultrapassou os social-democratas e recebeu cerca de 22 por cento dos votos, um acréscimo de seis pontos em relação à última eleição cinco anos atrás.
Eleitores têm expressado nas urnas sua revolta com o orçamento austero de Schoreder que iria diminuir a rede de segurança social da Alemanha a partir do ano que vem. A parte mais controvertida é um plano de limitar aumentos da aposentadoria.
A desastrosa queda de popularidade, também evidente em quatro outras eleições estaduais e locais nas últimas duas semanas, tem abalado o governo de centro-esquerda de Schroeder.
"Os eleitores têm nos punido", disse Thomas Joerg, um destacado legislador social-democrata na Saxônia. Karl-Heinz Kunchel, o candidato a governador do partido, culpou "políticas federais" pelo revés.
Franz Muentefering, o secretário-geral social-democrata, reconheceu que seu partido sofreu uma "amarga derrota", mas disse que o governo não abrirá mão de seu plano de austeridade.
Os democrata-cristãos (CDU), no poder na Saxônia desde a unificação alemã de 1990, preservou a maioria absoluta no legislativo estadual com 57% dos votos.
O governador Kurt Biedenkopf, um popular professor de economia originário da Alemanha ocidental e já em seu segundo mandato, foi reeleito graças a eleitores que creditam a ele a revitalização pós- comunista do estado.
Os ambientalistas Verdes, os parceiros menores na coalizão de Schroeder em Berlim, caíram dos 4,1% de cinco anos atrás para 2,5%, continuando portanto fora do legislativo estadual. Todo partido tem de conquistar pelo menos 5% dos votos para ter representação legislativa. Os liberais e a extrema-direita também ficaram fora do parlamento regional.
Dada a fraqueza do governo, muitos alemães acreditam que a coalizão de Schroeder, em seus 12 meses, não irá completar seu mandato de quatro anos.
Uma pesquisa realizada antes das eleições de hoje mostrou que 62% dos eleitores esperam que o governo desmoronará caso os partidos da coalizão continuem a perder nas votações estaduais.
Schroeder insiste que os cortes orçamentários são necessários para incentivar investimentos, criar empregos e amenizar o débito federal da Alemanha que cresceu enormemente com a ajuda maciça à ex- comunista Alemanha Oriental.
Mas ele tem escandalizado tradicionais eleitores social-democratas ao tentar pender o partido para a direita, alinhando-o ao centro político.
Muitos partidários de longa data têm permanecido em casa no dia das eleições como protesto.

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