Schroeder defende controle da circulação mundial de capitais
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domingo, 27 de junho de 1999
Por Wilson Tosta e Vladimir Goitia 
Rio, 28 (AE) - O chanceler federal alemão, Gehrard Schroeder, defendeu hoje o controle da circulação mundial de capitais, no discurso de abertura da Cimeira. "Não se pode permitir que o fluxo de capitais arruíne economias", disse, em referência às crises abertas em vários países pela especulação internacional. O chefe de governo da Alemanha, no pronunciamento que fez após o presidente Fernando Henrique Cardoso, mostrou-se favorável ao projeto de uma "nova arquitetura financeira mundial", uma reivindicação de países pobres, mais atingidos pela volatilidade das riquezas em circulação.
Schroeder fez um pronunciamento, na maior parte voltado para agradar ao público interno alemão. Ele afirmou que a criação do euro, moeda única da União Européia (UE), foi uma "data marcante" e destacou que ele será estável - recentemente
a cotação da moeda em relação ao dólar oscilou, levantando dúvidas a respeito dela. "Atrás do euro, estão as economias mais fortes do mundo", disse o chefe de governo alemão.
O chanceler também disse que "a Europa aprendeu com a crise do Kosovo", região da Iugoslávia devastada por uma guerra com as potências ocidentais. "As crises têm de ser resolvidas antes que surjam", afirmou. Ele elogiou o Brasil e a Argentina por terem assinado o Tratado de Não-Proliferação de Armas Nucleares e atacou o governo iugoslavo, segundo ele respondável, nos últimos dez anos, por guerras e banimentos de população.
Depois de lembrar que, em abril, a UE e a América Latina lançaram um programa para combater o tráfico de drogas, Schroeder destacou que a aproximação entre as regiões é importante porque juntará "o maior bloco econômico da Terra", a Europa, dos "mercados mais emergentes e em crescimento", a América Latina e o Caribe. "A Europa precisa de parceiros estáveis", afirmou. "Não deve haver só integração comercial, mas também cultural."
O presidente do México, Ernesto Zedillo, disse que o encontro dos 48 chefes de Estado e de governo da América Latina, Caribe e UE foi possível graças aos processos de mudança ocorridos nas duas regiões durante as últimas décadas deste século. O presidente mexicano lembrou também que, graças às reformas democráticas, os latino-americanos empreenderam profundas reformas econômicas. Zedillo criticou os regimes nacionalistas vividos pela América Latina antes do processo de redemocratização. "Foi devido às reformas empreendidas, e ainda em andamento, que ficaram para atrás o estatismo excessivo e a irresponsabilidade fiscal populista que tanto atrasaram o nosso desenvolvimento, assim como o isolamento protecionista que tanto marginalizou os países latino-americanos dos benefícios do comércio e do investimento estrangeiro", afirmou Zedillo, no discurso que fez durante a abertura da Cúpula América Latina-Caribe-UE. Para o presidente mexicano, o maior desafio da região agora é fazer da democracia e da economia de mercado armas eficazes para vencer a injustiça e a desigualdade social.
"Paradoxalmente, nosso futuro está em nosso passado", acrescentou. De acordo o presidente do México, os latino-americanos nasceram juntos como nações independentes no século 19 e, agora, também unidos, passarão para o século 21.


