Schroeder ameaça demitir ministro da Defesa Do correspondente Reali Júnior
Paris, 17 (AE) - Depois de afastar seu principal rival no Partido Social-Democrata (SPD), o ex-super ministro das Finanças Oskar Lafontaine, o chanceler alemão, Gerhard Schroeder, enfrenta agora uma segunda batalha que poderá terminar da mesma forma, isto é, com a demissão do ministro da Defesa, Rudolf Scharping.
Segundo o jornal Die Welt, Schroeder está muito irritado com Scharping, chegando mesmo a acusá-lo de deslealdade. O próprio chanceler adverte nos bastidores que ele poderá ter o mesmo fim de Lafontaine.
Tudo isso porque o ministro da Defesa já se apresentou como o futuro sucessor de Schroeder. E vem agindo como tal, opondo-se em público, por exemplo, à redução do orçamento militar previsto pelo governo para 2001. Scharping estaria na origem de especulações cada vez mais fortes de que comandaria uma grande aliança com os democrata-cristãos, da CDU.
Oficialmente, tanto o chanceler quanto o ministro desmentem a informação do jornal, mas outras fontes governamentais confirmam. Uma eventual demissão de Scharping desestabilizaria ainda mais a posição de Schroeder em seu próprio partido.
Isso porque se trata de um homem do aparelho partidário que, com a saída de Lafontaine, se fortaleceu ainda mais. Scharping é hoje o único nome do partido que pode contar com o apoio da ala esquerda para suceder Schroeder. Essa ambição fez com que Scharping desistisse de disputar a secretaria-geral da Otan, cargo que poderia obter sem dificuldades.
A expectativa política de Schroeder a curto prazo não chega a ser brilhante. Ele tem acumulado derrotas eleitorais regionais durante os últimos três fins de semana. Se a maré baixa continuar, os observadores acreditam que poderá ocorrer uma minirrevolução em Berlim.
Tudo poderá decidir-se na próxima primavera, quando das eleições na Renânia-Westphalia, reduto do chanceler. Uma nova derrota ali provocaria uma ruptura na aliança com os verdes. O SPD teria de partir para uma grande coalizão com a CDU de Helmut Kohl, mas provavelmente sob a presidência de Scharping.
Não se pode esquecer que a rivalidade entre Scharping e Schroeder não é recente. Em 1993, o ministro da Defesa disputou a presidência da SPD com sucesso, derrotando Schroeder. Nessa época, o atual chanceler ocupava as funções de porta-voz dos negócios econômicos do partido e foi afastado. Poucos meses depois, a situação inverteu-se. Schroeder fez parte, sob o comando de Lafontaine, do putsch contra Scharping no Congresso de Mannhein.
No ano passado, Schroeder, obrigou Scharping a abandonar a presidência do SPD no Bundestag, mas deu-lhe como prêmio de compensação o Ministério da Defesa, prometendo não reduzir o orçamento. A necessidade de conter despesas impede, agora, o chanceler de cumprir a promessa. Scharping chegou a pensar em deixar o governo, aprofundando a crise atual no SPD.
Ele só abandonou a idéia depois de sucessivas reuniões com Schroeder e o ministro de Finanças, Hans Eichel. Mas as tensões no interior do governo alemão e do partido no poder não puderam ser contornadas. Os próximos passos serão decisivos para uma avaliação definitiva do que vai ocorrer a curto prazo na cúpula alemã.





