São Paulo, 30 (AE) - O gerente nacional de vendas da Schincariol, Francisco Martins, criticou hoje (30) a decisão do Cade que limitou a empresas com até 5% de participação de mercado a possibilidade de compra das fábricas que a AmBev terá de vender para consolidar a fusão da Brahma com a Antarctica.
Esse critério deixou de fora a Schincariol, que detém 9% do mercado, segundo pesquisa da Nielsen.
"A postura do Cade não passou de um mico", disse Martins que afirma ter participado de duas reuniões, uma em Brasília e outra em São Paulo, com o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, para confirmar o interesse da Schincariol na aquisição de unidades da AmBev.
Segundo Martins, em nenhum momento, nesses encontros que convocou, Tápias mencionou o limite de 5% de participação no mercado. "Foram reuniões inúteis", disse.
Para Martins, essa limitação inviabilizará a Bavária, uma das marcas a serem vendidas pela AmBev, porque o comprador não terá escala operacional para competir no mercado. "O alto custo do frete vai matar a marca", argumentou.
Martins também criticou a Kaiser, pela preocupação que considerou obsessiva com a AmBev. Na sua opinião, a Kaiser deveria se preocupar com a Schincariol, porque apesar de deter 15% do mercado, poderá ser ultrapassada nos próximos anos.
O dirigente da Schincariol disse que a empresa acabou de investir R$ 210 milhões em uma nova fábrica no Rio, que vai entrar em operação dentro de 20 dias, ampliando a capacidade de produção da empresa de 1,3 bilhão de litros para 1,6 bilhão de litros.
Além disso, segundo Martins, a empresa está dobrando para R$ 50 milhões seus investimentos em marketing este ano e planeja construir quatro novas fábricas. Ele disse que este ano a empresa deve aumentar em 16% seu faturamento que atingiu R$ 653 milhões no em 1999.

mockup