Schahin vence licitação de US$ 300 milhões de obras do Sivam
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 25 de fevereiro de 1999
Por Vladimir Goitia 
São Paulo, 26 (AE) - As obras de infra-estrutura do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), um dos projetos mais polêmicos e controvertidos desde que foi concebido, em 1990, devem ser iniciadas no próximo mês ou, no máximo, até abril. A Schahin Engenharia - única a apresentar proposta entre quase 50 empreiteiras que compraram o edital de concorrência para as obras civis - assinou o contrato de US$ 287 milhões no início deste mês.
Pelo projeto inicial, o orçamento destinado às obras civis era de US$ 200 milhões. O custo total do Sivam, que deve estar totalmente implementado no ano 2002 na Amazônia Legal, foi estimado em US$ 1,4 bilhão (US$ 1,285 bilhão em equipamentos). O projeto foi totalmente financiado por entidades internacionais, como o Eximbank (USA), que liberou US$ 1,022 milhão. A Raytheon, que acabou vencendo a licitação do fornecimento de equipamentos para o sistema de vigilância, entrou com US$ 239,2 milhões.
Alguns setores próximos ao projeto estranharam a proposta "isolada" da Schahin, dado o alto volume de recursos destinado para as obras de infra-estrutura. Em época de crise, como a de agora, segundo esses setores, pareceu estranho as principais e maiores empreiteiras do País terem desprezado uma licitação de tal envergadura. A explicação de algumas dessas empreiteiras, entretanto, é que as obras são demasiado complexas
principalmente em regiões como as da Amazônia.
A Camarago Corrêa, por exemplo, chegou a estudar o projeto, mas preferiu ficar de fora por causa dos riscos, tanto na execução das obras como na possibilidade de ter perdas financeiras futuras com o projeto. A proposta da Schahin, por exemplo, tinha 42 mil páginas, o equivalente a 1 tonelada de papel, dada a complexidade do edital de licitação da CCSivam. Da proposta fazem parte, por exemplo, 107 obras em 82 municípios da Amazônia Legal. Ou seja, a construtora vencedora terá de espalhar canteiro de obras em quase 59% do territórtio nacional.
A Schahin informou que a obra não será empreitada (dividida) a outras construtoras. A empresa nega qualquer pré-acordo com outras empreiteiras para, depois, dividir a obra. De acordo com fontes da companhia, a Schahin considerou todos os riscos do projeto, já que conta com experiência em obras em regiões como o da Amazônia. Recentemente, a empreiteira fez linhões de energia elétrica para a Eletronorte naquela região.
Ainda no início do segundo semestre deste ano, a Comissão para a Coordenação do Projeto do Sivam (CCSivam) estará recebendo os primeiros equipamentos, entre eles radares, que serão instalados nas cidades de Jacareacanga e Manicoré, em Manaus, o primeiro dos três centros regionais de vigilância. De acordo com o vice-presidente da CCSivam, coronel Quírico, o sistema do centro regional de Manaus poderá estar operando já no segundo semestre do próximo ano. Os próximos centros a serem construídos serão os de Porto Velho e Belém.


