Berlim, 16 (AE-AP) - O herdeiro escolhido por Helmut Kohl para presidir a União Democrata Cristã (CDU, pela sigla em alemão) caiu nesta quarta-feira (16), vítima do escãndalo financeiro que devastou seu partido desde que o ex-chanceler admitiu ter escondido doações ilegais durante seu mandato.
Wolfgang Schaeuble, presidente do partido e líder parlamentar, foi forçado a renunciar em um golpe de companheiros conservadores convencidos de que apenas um rompimento dramático com os antigos líderes salvaria o partido da auto-destruição - especialmente com a realização de duas importantes eleições estaduais em breve.
"A crise na CDU não deveria se transformar em uma crise da democracia", disse Schaeuble, de 57 anos, ao anunciar sua decisão de abandonar os dois cargos. "Este objetivo excede todos os outros."
O chanceler Gerhard Schroeder considerou a saída de Schaeuble "um passo provavelmente necessário" para manter vivo o partido de oposição.
"É importante reconhecer que os partidos garantem a estabilidade necessária para o sistema democrático na Alemanha"
disse Schroeder, que chefia o outro grande partido alemão, o social-democrata.
Enquanto Schaeuble disse querer fazer um "novo começo" possível para seu partido, é improvável que apenas sua renúncia acabe com o escândalo relacionado a doações ilegais, contas secretas em bancos suíços e números misteriosos que alcançam o período de meio século no qual Kohl presidiu o partido.
Kohl admitiu ter afastado mais de US$ 2 milhões de marcos (cerca de US$ 1 milhão) dos livros de registro entre 1993 e 1998. Sua recusa em divulgar os nomes dos doadores gerou especulações sobre possíveis comissões e subornos.
O parlamento alemão investiga o caso e promotores ainda consideram a hipótese de processos criminais.
"A CDU ainda está em terreno escorregadio", disse Franz Muentefering, dirigente do Partido Social Democrata (SPD, por suas iniciais em alemão).

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