Scalco diz que falha não foi em Itaipu
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sexta-feira, 12 de março de 1999
Luciana Pombo Especial para a Folha 
Técnicos da Operadora Nacional de Sistemas (ONS) e da Eletrobrás estudam os motivos que levaram ao blecaute ocorrido na noite de quarta-feira em dez Estados e no Distrito Federal. O presidente da Itaipu Binacional, Euclides Scalco, disse ontem, em Curitiba, que ninguém sabe o que pode ter acontecido. Imagino que tenha havido algum defeito no sistema e que acabou se propagando, afirmou Scalco. De acordo com ele, o defeito não foi em Itaipu. Se o defeito fosse nosso, não poderíamos ter colocado o sistema em operação em tão pouco tempo, salientou. Este foi o maior blecaute ocorrido nos últimos 15 anos.
Segundo o diretor-técnico executivo da Itaipu Binacional, Altino Ventura, os problemas começaram às 22h17. Dezesseis máquinas que estavam em operação na Usina tiveram que ser desligadas para evitar que parte dos equipamentos fosse danificada. As máquinas voltaram a funcionar gradualmente e a usina voltou a operar com capacidade total às 3 horas da madrugada de ontem.
Arquivo FolhaEuclides Scalco, presidente da Itaipu: Ninguém sabeOs Estados mais prejudicados com o blecaute foram Rio de Janeiro e Espírito Santo, onde 93% da carga foi reduzida. Nestes Estados e em São Paulo e Minas Gerais, o fornecimento de energia só voltou ao normal na madrugada de ontem. Foram atingidos pelo blecaute: Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.
No Paraná, o blecaute atingiu 43% dos municípios. Em meia hora, o abastecimento de energia do Estado já estava normalizado. O Estado tem diversas hidrelétricas ligadas à Copel, o que auxilia na retomada do abastecimento, afirmou Ventura. De acordo com ele, não existem motivos para alarde. O risco de que o blecaute volte a acontecer é quase zero. De qualquer forma, estamos preparados, disse. Três municípios paranaenses tiveram blecaute praticamente total: Londrina, Ponta Grossa e Figueira. Curitiba teve 70% da carga de energia interrompida.
Em alguns bairros de Curitiba, a falta de energia se estendeu por 30 minutos e em outros durou até o começo da madrugada. Nos terminais de transporte coletivo a situação ficou complicada, porque o blecaute aconteceu na hora da volta pasa casa dos estudantes noturnos. Os ônibus acabaram fazendo a iluminação de terminais da região Sul da cidade, a mais populosa.
O blecaute preocupou nos hospitais. A diretoria do Hospital Nossa Senhora do Rosário, por exemplo, teve que acionar as lâmpadas de emergência para evitar problemas. Ainda bem que tudo foi resolvido rapidamente, disse uma das enfermeiras. O sistema de emergência do hospital tem capacidade para suprir a energia por cerca de duas horas.
A área de operação da Copel informou que técnicos estão fazendo um rastreamento nas 100 subestações espalhadas por todo o Estado. A intenção é detectar o problema que ocasionou o blecaute e corrigi-lo. A Copel tem, atualmente, 18 usinas interligadas no abastecimento de energia do Estado. As maiores são Foz do Areia, Segredo, Capivari-Cachoeira e Salto Caxias.
O diretor de operação da Copel, Lindolfo Zimmer, diz que a companhia resolveu a situação no Estado rapidamente. Sofremos um impacto no intante do problema, mas em menos de meia hora a situação no Estado estava absolutamente normalizada. Segundo ele, a pronta resposta foi resultado do preparo dos técnicos da área de controle e supervisão do sistema da Copel, a avançada tecnologia dos equipamentos da companhia e a disponibilidade de geração própria.
A Copel informa que no Paraná a perda de energia foi de 900MW ou 38% da carga demandada. Em regiões como Cascavel e Pato Branco não houve interrupção no abastecimento.


