Florianópolis, 20 (AE) - A Assembléia Legislativa de Santa Catarina vota quarta-feira (22) a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar o narcotráfico no Estado. Cerca de 100 denúncias feitas à CPI do Narcotráfico na Câmara dos Deputados envolvendo catarinenses vão servir de base para o trabalho dos parlamentares.
Algumas dessas denúncias foram relatadas hoje ao presidente do Legislativo, Gilmar Knaesel (PPB), e a representantes da Mesa Diretora da Casa pelo sub-relator da CPI federal, Padre Roque Zimmermann (PT-PR). O governador Espiridião Amin (PPB) também participou do início da reunião, na Assembléia.
Padre Roque Zimmermann viajou a Santa Catarina a convite da bancada estadual petista. Trouxe as denúncias na bagagem, mas, num pacto de silêncio com os parlamentares, não as divulgou à imprensa. O sub-relator garantiu apenas que o narcotráfico catarinense está envolvido especialmente em operações de lavagem de dinheiro, desmonte de carros e roubo de cargas. Segundo ele, até agora, nenhum "nome de peso" ligado ao empresariado ou à política de Santa Catarina foi denunciado à CPI. Mas afirmou: "O grande narcotraficante é essencialmente um homem conservador; ligado à Igreja, faz grandes doações e está sempre envolvido em obras essenciais."
Depois da reunião, realizada a portas fechadas, Padre Roque Zimmermann manifestou entusiasmo com o interesse dos deputados pela investigação. "Nunca fui recebido pelo presidente da Assembléia do Paraná", reclamou. Ele também obteve de Amin a garantia de que tanto o governo como o Ministério Público Estadual (MP) darão à CPI estadual o apoio necessário. O governador defendeu no encontro a criação de um fórum permanente e interinstitucional de combate ao narcotráfico. "Estamos perdendo a guerra e não podemos ficar parados", advertiu.
No fim da tarde de hoje, a mesma comissão que representa a Mesa Diretora da Assembléia Legislativa viajou a Brasília em busca das informações coletadas pela CPI federal. Na manhã de hoje, os parlamentares catarinenses encontraram-se com o relator da comissão de inquérito da Câmara, Moroni Torgan (PFL-CE). A expectativa é de que, em Santa Catarina, as investigações comecem na próxima semana.

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