O apresentador Carlos Massa, o ‘‘Ratinho’’, convocou a imprensa para anunciar sua contratação pelo SBT, ontem à tarde. A estréia está prevista para o dia 14 de setembro, às 20h30. Ele comandará um programa de duas horas de duração, no mesmo formato do ‘‘Ratinho Livre’’. Só o nome é que passa a ser ‘‘Programa do Ratinho’’. Depois de um ano comandando o programa mais popular da TV, com média de 20 pontos e pico de 38, o apresentador disse que não se sentia mais à vontade nos últimos dias, com as restrições impostas pela emissora. ‘‘A Record cumpriu tudo, mas estava tirando a minha liberdade’’, justificou. ‘‘Não admito que um programa popular não tenha liberdade. Qualquer TV que me proibir de falar palavrão, eu saio’’. Mas ele reconhece que, na Record, aprendeu a ser mais moderado no linguajar.
Seu contrato no SBT é por quatro anos, com um salário mensal de R$ 800 mil, mais o faturamento referente a duas inserções de merchandising que deve elevar o salário para R$ 1 milhão. A multa pelo não-cumprimento do contrato com a Record - de R$ 43 milhões - será paga pelo SBT. O apresentar revelou que foi procurado pela Globo quinta-feira à tarde, quando ele tinha acabado de fechar contrato com o SBT.
A mais recente mudança interna do SBT aparece aos olhos do público pela chegada de Ratinho. Demissionários desde a última terça, os diretores Luciano Callegari e Guilherme Stoliar, sobrinho de Silvio Santos, proprietário da emissora, eram contrários à contratação do apresentador da Record por se tratar de um investimento de alto risco.
Para sanar o afastamento dos dois diretores, Silvio Santos nomeou Rick Medeiros para as funções de Stoliar (direção do núcleo gerador) e Walter Bonásio para o núcleo comandado por Callegari, que inclui a supervisão sobre os programas ‘‘Jô Soares Onze e Meia’’, ‘‘Programa Livre’’, ‘‘Eliana & Cia.’’, ‘‘Disney Club’’, ‘‘SBT Repórter’’ e ‘‘Hebe’’. Na avaliação de Stoliar e Callegari, a multa a ser paga pela rescisão do contrato de Ratinho com a Record (R$ 43 milhões, segundo a emissora de Edir Macedo) seria uma incoerência no atual contexto do SBT, que demitiu mais de duzentos funcionários no último ano - só a extinção da frota, este mês, incluiu 64 motoristas.
Para a programação, o enxugamento da folha de pagamentos teve seu efeito mais drástico no departamento de jornalismo, hoje reduzido aos boletins ‘‘Notícias da Última Hora’’. Embora a emissora não acene oficialmente com a perspectiva de reativar o setor de notícias, o cumprimento de um contrato assinado no último mês, com várias emissoras da América Latina, obrigará Silvio Santos a reestruturar o jornalismo até o início de 99.
Pelo acordo, encabeçado pela Televisa do México, o SBT será a emissora que representará o Brasil numa rede intitulada Aliança Latino-Americana, que consiste na troca de material jornalístico entre as TVs participantes. Atualmente, a reportagem produzida pelo SBT está limitada ao ‘‘SBT Repórter’’.
A justificativa interna para esvaziar o jornalismo do SBT é um paradoxo: Silvio Santos argumentou que o setor estaria gastando muito para fazer pouco. A solução, então, seria zerar tudo para só depois reestruturar a área. A reativação do jornalismo, imediatamente, foi um dos itens defendidos por Stoliar e Callegari até o início desta semana. Santos não deu ouvidos às sugestões da dupla.

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