Sérgio Bueno
Agência Estado
De Porto Alegre
A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) encerrou ontem sua 51ª Reunião Anual com uma estratégia de alianças, definida para aumentar sua influência sobre a distribuição de recursos à pesquisa no País, e um novo posicionamento sobre o projeto de autonomia que o governo federal pretende implantar na universidade pública. Por trás deste projeto, há a avaliação de que tanto o Ministério da Educação (MEC) e, principalmente, o da Ciência e Tecnologia (MCT) enfrentam seu momento de maior fragilidade dos últimos anos, o que praticamente obriga a SBPC a desempenhar um papel político mais acentuado.
A SBPC estabeleceu, de um lado, uma articulação mais forte com o Fórum dos Secretários Estaduais de Ciência e Tecnologia, reunido dois dias durante o encontro anual. Tanto os representantes dos governos estaduais quanto da entidade admitem que esta aproximação proporciona uma ‘‘simbiose das mais perfeitas’’, como disse o secretário gaúcho e coordenador do Fórum, Adão Villaverde, reforçando o poder político de ambas as partes nas disputas por mais verbas, constantes e melhor distribuídas entre as regiões do País. A aliança com os secretários estaduais oferece para a SBPC um interlocutor político importante para o encaminhamento de proposições com chances razoáveis de implementação.
No campo do projeto de autonomia universitária, a entidade pretende sair da posição ‘‘reativa’’ e extrapolar as discussões hoje restritas aos limites das propostas do governo, disse Hélgio Trindade, ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e membro do Conselho Deliberativo da SBPC. ‘‘A SBPC compreendeu que a universidade pública, onde concentram-se 90% das pesquisas do País, é fundamental para o desenvolvimento da ciência e tecnologia’’, explicou Hélgio. Segundo ele, hoje já existe uma ‘‘visão solidária’’, expressa no programa da nova gestão da entidade, de que a crise é comum a ambas as área. A idéia é consolidar uma ‘‘frente’’ com entidades como a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições de Federais de Ensino Superior (Andifes) e a Associação Nacional dos Docentes do Ensino Superior (Andes).
A linha estratégica de articulação da nova diretoria da SBPC leva em conta que ‘‘educação, ciência e tecnologia só dão resultados se forem pensadas num horizonte de longo prazo’’, reforça a presidente recém-empossada, Glaci Zancan, doutora em bioquímica e professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Ela reiterou as críticas à escassez e inconstância dos repasses de recursos federais para a pesquisa e confirmou que a SBPC busca ‘‘alianças’’ com outros segmentos da sociedade para atingir com maior eficácia ‘‘o centro do poder’’.
‘‘Cada entidade tem seu nicho de atuação e por isso é necessário estabelecer pontes entre elas’’, disse a presidente. Ela afirma que a diretoria ainda não discutiu os mecanismos e escalas de integração, mas assegurou que o ‘‘somatório de esforços’’ com outras instituições como Andifes e Andes é ‘‘crescente’’. A aproximação com o Fórum de Secretário, segundo a professora, coloca para a SBPC um interlocutor fundamental para a luta pela desconcentração do financiamento à pesquisa no Brasil.A Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência se aproxima dos Estados para poder influir na distribuição de recursos
Alexandre Mendez/Correio do Povo/AERoberto Salmeron, da Êcole Polytechnique de Paris, França, durante o simpósio Reforma Universitáária, naö SBPC

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