O presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Sérgio Ferreira, defendeu ontem em Maringá uma participação maior da iniciativa privada no financiamento de pesquisas. Ele esteve em Maringá para a abertura da 6ª Reunião Especial da entidade, que está debatendo as cidades de médio porte. ‘‘Vivemos o momento de maior crise da ciência brasileira, se não controlada vai destruir a pesquisa construída nos últimos 50 anos’’, afirma. Ele diz que apesar da reunião de Maringá ter um tema específico, a situação da ciência hoje será também debatida entre pesquisadores de todo o país que estão na cidade.
‘‘A indústria precisa fazer o desenvolvimento tecnológico necessário em todas as áreas, como acontece nos países desenvolvidos, onde 70% da pesquisa é patrocinada pelo setor produtivo’’, defende Ferreira. A sociedade, segundo ele, já tem consciência dessa necessidade, faltando apenas as indústrias assumirem o papel em busca de inovações. ‘‘Caso contrário, não terá espaço no mundo globalizado’’, adverte. O que falta seria a mudança de mentalidade do empresariado, já que o retorno do investimento em pesquisa se dá a médio e longo prazo. O problema, segundo Ferreira, é o modelo econômico, que impede o empresário de planejar o futuro.
A reunião de Maringá vai debater ainda as propostas de reestruturação da universidade pública. ‘‘Não há dinheiro para o ensino público brasileiro, e o país já está com 60% ou mais dos estudantes optando pelo ensino privado’’, calcula. O problema, segundo Ferreira, é que no Brasil o ensino privado visa apenas lucro, ao contrário dos países desenvolvidos, onde o setor faz parte de fundações sem fins lucrativos. Na situação atual a universidade pública brasileira vai deteriorar, diz ele, por falta de identificar uma vocação. ‘‘Sem formar mentes voltadas para a pesquisa, a ciência vai parar, o que não pode acontecer’’, frisa.
O debate em torno do tema central, vai medir qual o limite de um ambiente habitado. ‘‘Hoje o homem sai das cidades grandes para as pequenas e médias, que nem sempre possuem estrutura para isso’’, diz Ferreira. A proposta da reunião será de identificar e cobrar as medidas que devem ser tomadas pelos governos para garantir a qualidade de vida nos centro urbanos, notadamente os que estão inchando com a migração interna de famílias em busca de oportunidades. A reunião vai debater até sábado, na Universidade Estadual de Maringá, outros temas ligados à qualidade de vida do brasileiro.

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