Mais de 15 milhões de brasileiros, quase 10% da população, têm problemas de audição. Apesar de ser a terceira deficiência que mais acomete a população, apenas 40% dos afetados reconhecem a doença. Por falta de informação ou preconceito, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, as pessoas demoram em média seis anos para tomar alguma providência em relação ao problema. Por esse motivo, hoje, Dia Nacional de Prevenção e Combate à Surdez, a Sociedade Brasileira de Otologia (SBO) realiza a Campanha Nacional de Saúde Auditiva. Com objetivo de alertar e informar a população sobre o problema, a campanha está veiculando, nas rádios de todo o Brasil, mensagens do ator Tony Ramos, falando sobre a importância dos cuidados com a saúde auditiva

  Curitiba- A surdez pode ocorrer de diversas maneiras, mas a desinformação e o preconceito são os dois principais fatores que contribuem para o aumento dos problemas auditivos. Segundo a Sociedade Brasileira de Otologia (SBO), cerca de 30% das pessoas que procuram um otorrinolaringologista apresentam deficiências na audição.
  O problema é mais grave na terceira idade, quando ocorre um processo natural de envelhecimento dos órgãos. Nessa fase, o uso de aparelhos auditivos pode ser a solução para a melhoria na qualidade de vida dos idosos. O preconceito, no entanto, ainda é um obstáculo para seu uso.
  Bebês também podem nascer com problema auditivo. Nesses casos, a detecção precoce é importantíssima. Quando a deficiência é diagnosticada antes dos seis meses de idade, em quase 100% dos casos é possível resgatar a audição do bebê. Isso, no entanto, raramente acontece.
  Por esses motivos, segundo o otorrinolaringologista Orley Baena Ferraz, representante da Sociedade Brasileira de Otologia no Paraná, a campanha nacional está centrada em quatro pontos: a realização do ‘‘teste da orelhinha’’ para detecção de problema auditivo em bebês; o combate ao preconceito contra o uso dos aparelhos; a não discriminação contra o idoso, que vai perdendo a audição e, ainda, na necessidade dos adultos se prevenirem contra a Perda Auditiva Induzida por Ruído (Pair).
  A perda da audição em idosos ocorre normalmente a partir dos 65 anos de idade e é de fácil diagnóstico. Com o passar dos anos, todas as pessoas apresentam um processo natural de envelhecimento, que envolve o aparelho auditivo, em suas vias periféricas e centrais. É o que se chama de Presbiacusia. Calcula-se que a deficiência auditiva acomete de alguma forma cerca de 70% dos idosos, o correspondente a 10 milhões de pessoas no Brasil.
  ‘‘A pessoa mesmo percebe que está ouvindo menos. A preocupação aqui é não deixar que ele se aliene do resto do mundo’’, adverte o médico. De acordo com ele, a surdez no idoso é um dos mais importantes fatores de desagregação social. ‘‘Como não ouve direito, ele tem que pedir para as pessoas repetirem o que disseram. Com isso ele vai ficando mau-humorado, não se reúne mais com a família, com os amigos, o que é um perigo’’, diz.
  ‘‘Óculos todo mundo usa. Aparelho ortodôntico até virou status. Então porque não usar um aparelho de audição?’’, questiona, ressaltando que é preciso desmistificar o uso desse tipo de aparelho. Segundo ele, a surdez tem diversas causas, como a exposição a ruídos, diabetes, uso de medicação tóxica para ouvidos, herança genética, ou mesmo a diminuição da acuidade auditiva na terceira idade. ‘‘Essas pessoas deveriam usar esses aparelhos, quando necessário, sem nenhum preconceito’’, afirma.

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