A AMB (Associação Médica Brasileira) e a SBI (Sociedade Brasileira de Imunologia) emitiram notas sobre a necessidade urgente do início da vacinação e a eficácia das vacinas no Brasil. A AMB ressaltou a importância da vacinação da população contra o Sars-CoV-2. Segundo a AMB, é urgente o início da vacinação no Brasil.

“Só assim evitaremos mais mortes causadas pela Covid-19. Desde 8 de dezembro de 2020, quando a primeira dose da vacina foi ministrada no mundo ocidental, já são 23 milhões de aplicações realizadas com segurança em mais de 50 países. A maioria das pessoas vacinadas não apresenta efeitos colaterais. Os que apresentam geralmente têm sintomas leves. Nenhuma morte relacionada à vacinação para Covid-19 foi descrita até o momento, enquanto a doença já causou mais de 1.900.000 óbitos globalmente.”

A AMB e a SBI emitiram nota sobre a necessidade da vacinação da população.
A AMB e a SBI emitiram nota sobre a necessidade da vacinação da população. | Foto: Divulgação/Instituto Butantan

Segundo a entidade, é imperioso que os gestores públicos nos três níveis (federal, estadual e municipal) atuem com organização, interação e rapidez na aquisição, disponibilização, armazenamento e aplicação das vacinas. “Cada dia de vacinação terá impacto progressivo para salvar centenas de vidas de brasileiros. Aproximadamente de 2 a 4 semanas após a vacinação, o organismo humano inicia a produção de anticorpos eficazes para evitar a Covid-19 ou reduzir o risco de evolução para formas mais graves da doença. Por isso, há a necessidade urgente de termos vacinas disponíveis, e assim, mudarmos o atual cenário desolador e recorrente de mais de 1.000 mortes por dia pela Covid-19 no Brasil.”

“Orientamos e clamamos que não se repassem vídeos e mensagens que desinformam sobre a real eficácia e segurança das vacinas. Reconhecidamente, as vacinas representam um dos maiores feitos da humanidade. Quem recebe uma vacina se protege e protege também as pessoas de seu convívio social, incluindo familiares, amigos e colegas de trabalho. Com as vacinas conseguimos erradicar doenças como a varíola, reduzimos mortes como as causadas pelo sarampo e pela meningite, além de sequelas graves como as da poliomielite. Do mesmo modo, conseguiremos controlar a maior pandemia dos últimos 100 anos, a Covi-19.”

A AMB reforça que no contexto de prevenção de doenças infecciosas, nenhuma medida isolada tem eficácia máxima. Portanto, se deve aliar à vacina as “6 regras de ouro”, medidas já comprovadamente efetivas na prevenção da Covid-19. São elas: uso de máscaras; distanciamento físico de pelo menos 1,5 metro; higienização frequente das mãos com água e sabão ou álcool 70%; evitar aglomerações; permanecer em isolamento respiratório domiciliar, desde o 1º dia de sintomas suspeitos de Covid-19. Procurar atenção médica para o diagnóstico correto e seguir a orientação recebida e apropriada para cada caso em sua individualidade. Não se automedicar; manter os ambientes arejados e ventilados.

A nota da SBI, por sua vez, apontou que o estudo da AstraZeneca (Vacina Oxford) e o estudo da Sinovac (Vacina Coronavac) adotaram critérios diferentes para categorizar o que foi considerado “caso de Covid-19” e isso faz com que o cálculo da eficácia global de cada um não seja diretamente comparável. “Estamos em um momento histórico em que nunca houve tantas vacinas diferentes ao mesmo tempo para uma mesma doença. Não existe padronização mundial para estudos de fase III – embora a FDA (Food and Drug Administration) recomende isso. A SBI endossa fortemente essa recomendação.”

Os números totais dos dois são muito semelhantes. “Uma diferença importante, além da tecnologia vacinal, e dos sintomas usados para classificar casos, foi que a Oxford foi testada na população geral, e a do Instituto Butantan em profissionais de saúde atendendo pacientes de Covid-19. A taxa de incidência de casos da doença no grupo placebo do Instituto Butantan é praticamente o dobro do que se observa no grupo placebo da Vacina Oxford, sendo que o número total de casos graves, nos dois estudos, também foi comparável.”

“A busca de vacinas para a Covid-19 foca, no momento, em controle de sintomas. Com o tempo, poderemos focar na busca de imunidade que proteja da infecção. Nenhum dos estudos atuais está medindo isso, mas certamente essa preocupação virá logo depois de controlar a doença e reduzir as hospitalizações. A vacina do Instituto Butantan diminui 50% a chance de qualquer pessoa ter qualquer sintoma leve, e 78% de mais sintomas. Não houve vacinados internados. Isso é um resultado muito bom, como é o da vacina Oxford. Para obter imunidade de rebanho, que só é possível com vacinação, é importante que vacinemos o maior número possível de pessoas, o mais rapidamente. Eficácia de 50% é um número considerado mínimo na população, pois reduziria o risco de doença em 50% se vacinássemos 100% das pessoas, lembrando que não sabemos atualmente o real risco – só saberemos quando tivermos testagem ampla. O que o estudo do Instituto Butantan nos diz é que houve redução em 50% de qualquer sintoma na população de profissionais da saúde; e a da Oxford, 62% em toda a população. Sendo assim, devemos concentrar nossos esforços agora na conscientização e na vacinação em massa, para proteger a população da doença”, diz a nota da SBI.

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