São Paulo, 26 (AE) - O Brasil será capaz de crescer sem a liderança do setor público? A dúvida foi lançada hoje, pelo economista João Sayad, durante debate na Universidade de São Paulo (USP), cujo tema principal era a "Reforma do Estado". Na avaliação do ex-ministro do Planejamento, o setor privado - para o qual está sendo transferida uma parcela significativa da economia nacional por meio do programa de privatizações - pode não ser capaz de garantir o crescimento necessário para um País do tamanho do Brasil.
O debate marcou o lançamento da edição 34 da Revista de Administração, uma publicação do Departamento de Administração da Faculdade de Economia da USP (FEA-USP). Também participaram do evento o professor Daniel Drache, professor da York University, de Toronto, no Canadá, e o professor da USP, Hélio Janny Teixeira.
Para Sayad, a discussão sobre reforma do Estado não pode ser reduzida à diminuição do Estado, como está acontecendo no Brasil. Em sua breve exposição, o ex-ministro questionou os três pilares da chamada política do Estado mínimo: o Estado é ineficiente, o Estado foi responsável pelo crescimento da inflação em vários países desenvolvidos ou não a partir de meados da década de 70 e o crescimento será impulsionado por pequenas organizações e não pelas grandes.
Entre outros argumentos, Sayad lembrou que todos os dias aparecem nos jornais notícias sobre fusões de grandes companhias
formando gigantes empresariais em quase todos os setores (bancário, de seguros, telefonia, etc). Além disso, ponderou, os investimentos privados que têm sido anunciados (tanto estrangeiros como de companhias já instaladas no País) referem-se, na maioria, a transferência de propriedade. "O volume de novos investimentos é pequeno, tanto que a economia não cresce", ponderou.
Sayad lembrou que nas décadas de 60 e 70 o setor público brasileiro realizou investimentos que o setor privado não tinah condições de bancar, como os grandes projetos na área de energia
telecomunicações e mineração. "Foram investimentos público sem viés socialista", ponderou.
A necessidade de participação pública no desenvolvimento da economia brasileira pode voltar a ser necessário sem que isso represente uma opção ideológico, avalia Sayad.
O professor canadense Daniel Drache questionou a dicotomia entre público e privado e mostrou que a globalização não representou a redução do tamanho do Estado nos países industrializados. Nos Estados Unidos, em 1978, as despesas públicas representaram 30% do Produto Interno Bruto (PIB). Em 1994, essa participação já alcançava 33,6%. Na França ela cresceu as despesas públicas passaram de 44,6% doPIB para 55,3%, no mesmo período de comparação.
Na sua avaliação, o Estado permanece, apesar da maior internacionalização dos mercados, como a instituição mais importante da economia em vários países. "Não há idéia mais errada do que a de um Estado menor ser equiavalente ao pagamento de menos imposto", anotou Drache, no artigo que escreveu para a Revista da Administração.

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