São Paulo, 16 (AE) - O ex-secretário municipal das Administrações Regionais (SAR) Alfredo Mário Savelli chegou às 18h15 na Câmara Municipal para depor na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Fiscais. Os vereadores que integram a CPI aprovaram a convocação de Savelli porque há indícios de que ele não tomou medidas administrativas para apurar indícios de favorecimento à empresa que vendia barracas para camelôs W. Sita.
Savelli, que chegou acompanhado por dois advogados, usou o elevador privativo dos parlamentares para ir até o 8º andar. Ele aguardou o fim do depoimento do ex-chefe do Depósito da Administração Regional da Sé, Antônio Alberto Alves, na Presidência da Câmara e disse que falaria com a imprensa após prestar depoimento.
A asistente social Sandra Maria Monte, que coordenou o recadastramento de vendedores ambulantes na Secretaria das Administrações Regionais, confirmou em depoimento à CPI que informou Savelli sobre as atividades comerciais da empresa W. Sita no bolsão do Largo da Concórdia. O comunicado teria sido feito depois de ambulantes terem denunciado pressão da empresa para comprarem as barracas. De acordo com os camelôs, se comprassem de outra empresa não conseguiriam a permissão para trabalhar no bolsão.
Sandra contou que ex-presidente da Ação Local - uma espécia de franquia da Associação Viva o Centro -, Lúcio Santos, teria afirmado que a autorização para a empresa montar o mostruário e o escritório de vendas no local fora concedida por Hélio Furmankiewicz e Akira Hyoshikawa. Furmankiewicz e Hyoshikawa, respectivamente, eram assessor do gabinete de Savelli e chefe da Assessoria de Informática da SAR.
Em seu depoimento, Sandra afirmou ainda que as barracas montadas no bolsão do Largo da Concórdia, montadas antes de o padrão ter sido publicado no Diário Oficial do Município, coincidiam com as exigências oficiais. Savelli acabou mandando retirar as barracas, mas desfez o grupo liderado por Sandra, a afastou do cargo e transferiu o serviço para a Administração Regional da Sé. Depois que Savelli depôs na Polícia Civil, foi indiciado por omissão. Demissão - Oficialmente, Savelli pediu demissão ao prefeito Celso Pitta (sem partido). O ex-secretário, que à época já havia sido nomeado para as Secretaria de Vias Públicas e de Serviços e Obras, permaneceu no cargo porque Pitta não aceito a demissão. Depois de revelado que o número de multas às empresas do setor de limpeza pública diminuiu mais de 90% no período em que Savelli permaneceu na SAR o pedido de exoneração foi aceito por Pitta. Confusão - O dirigente sindical dos Camelôs Marcos Maldonado, que prestou um depoimento conturbado hoje à CPI, deixou a Câmara Municipal e foi depor no Instituto de Criminalística (IC). Ele disse ter formalizado denúncia sobre a empresa W. Sita para Savelli e que havia outra empresa que também pressionaria os camelôs, mas em São Miguel Paulista.
O relator da CPI, Mílton Leite (PMDB), insistiu com Maldonado dizendo que ele não estaria respondendo diretamente as perguntas e que teria mantido reunião com dois vereadores para obter vantagens, em troca de seu apoio para projetos de lei. "Não gosto de ver ninguém mentir", afirmou Leite, sem explicar o motivo da sua afirmação.

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